Sexta-feira, 8 de Maio de 2009
publicado por JN em 8/5/09

O melhor projecto é o de Pedro Souto, que tem a estratégia, os apoios e o know how suficientes para devolver o Sporting à dimensão que ele merece. A melhor imagem é a de Rogério Alves, que tem a notoriedade, o apreço dos media e a experiência pública necessárias à comunicação desse projecto. O melhor discurso é o de Paulo Cristóvão, o único que verdadeiramente se tem preocupado em falar na urgência de reconduzir o clube aos sócios. E a melhor história é a de Abrantes Mendes, que foi, deles todos, o que primeiro olhou para este deplorável marasmo, esticou um dedo e disse: “Basta!”

Por mim, era uma lista só: Rogério Alves na presidência do clube, Pedro Souto na SAD, Paulo Cristóvão na comunicação interna (incluindo núcleos e filiais) e Abrantes Mendes na Assembleia Geral. O Sporting, nem é preciso dizê-lo, precisa de união. Precisa de união e de sinais claros dessa união. E, se este chavão, não chega, cá vai outro: todos seremos poucos. Por alguma razão os chavões existem: são, regra geral, absolutamente verdade – e apenas por excesso de evidência os intelectuais lhes resistem. O Sporting precisa de mudar. De mudar muito. E do outro lado – do lado dos que não querem que mude – há demasiadas forças, demasiados “notáveis”, demasiada tradição.

É uma oportunidade histórica. Imagine-se que, desta vez, até temos eleições. Eleições a sério: não cooptações, não sucessões dinásticas – nem sequer eleições forjadas para validar cooptações e sucessões dinásticas. E temos, aliás, uma massa associativa sedenta de mudança. Os sócios jovens e urbanos, que povoam as empresas e lêem os diários de economia, continuam a falar de dinheiro, de formação, de razoabilidade e novamente de dinheiro. Mas o Sporting, acredite-se ou não, está longe de esgotar-se nessa modesta elite papagueante à qual um golo de Liedson não provoca maior vertigem do que uma oscilação do PSI-20. O Sporting é um clube com implantação popular. Ainda o é, apesar dos esforços desta bafienta corte que o assaltou durante uma série de anos. E o povo quer títulos. Quer sair à rua e celebrar títulos.

Tudo o resto é... Bom, agora que penso nisso, quase tudo o resto é Menezes Rodrigues. E Menezes Rodrigues é curioso: começou como uma figura menor, um pouco à maneira dos velhos directores de departamento, e entretanto ficou tanto tempo que acabou por conseguir comprar para si próprio o estatuto de “notável”. Que não queira uma candidatura de Rogério Alves, é mais do que compreensível: Rogério Alves representa, até certo ponto, o fulgor de juventude de que a velha guarda sempre desdenha. Mas isso é o menos. O que é superlativamente sintomático é que seja precisamente nas mãos dele que a “posição” leonina se tenha colocado. Nas dele ou – imagine-se – nas de Dias Ferreira (e com este “imagine-se” já digo tudo o que me apraz dizer sobre essa hipótese).


CRÓNICA DE FUTEBOL ("Futebol: Mesmo"). Jornal de Notícias, 8 de Maio de 2009

 

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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