Terça-feira, 18 de Maio de 2010
publicado por JN em 18/5/10



Todos os anos a actualidade televisiva é fraca na segunda metade da Primavera, mas este ano a situação é ainda pior. Exausta após duas semanas a explorar todas as abordagens de que se lembrou sobre Bento XVI, Fátima, a Igreja Católica em geral e os próprios fundamentos do Cristianismo, a televisão portuguesa como que faz agora uma pausa para respirar, enquanto não começa o Mundial de futebol. Estreias, há poucas. Grandes projectos, nenhuns. Apenas os treinos dos rapazes de Carlos Queiroz na Covilhã merecem um vago ar de “operação especial” – e, aliás, só agora, que o plantel começa a completar-se, a palavra “especial” verdadeiramente se justificará.


Tudo bem: Portugal gosta de futebol, ninguém alguma vez esquecerá o que foi aquele divertidíssimo mês de Junho de 2004 – e, não só uma adrenalina assim é fácil de gerir como, apesar de o investimento ser grande (a RTP que o diga), a sua rentabilização a curto, médio e mesmo longo prazo é passível de êxito. Mas não deixa de ficar demasiada coisa nas mãos de Queiroz e do seu fragmentado grupo de jogadores, incluindo portugueses e brasileiros, superestrelas e meros aspirantes, vencedores e derrotados recorrentes: tudo gente que, perante um grupo de qualificação relativamente acessível, apenas in extremis garantiu a presença na África do Sul – e que, ainda por cima, tem como comandante um homem bem menos mobilizador do que era Luiz Felipe Scolari.


O que me parece é que, por esta altura, estará toda a gente a fazer figas para que a campanha não redunde num fracasso. Inclusive aqueles que não têm nenhum tipo de imagens em exclusivo. Aparentemente, nem eles dispõem, por esta altura, de um plano B.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 18 de Maio de 2010

2 comentários:
De Margarida a 21 de Maio de 2010 às 11:01
Para quem não aprecia o jogo, estes dias (longos, longuíssimos) são e serão pavorosos...
Desde os 'noticiários' às 'reportagens especiais', passando pelos magazines sobre os jogadores e os seus (des)gostos, é uma overdose desesperadora.
Uma angústia, até.
Nem a panóplia de canais ajuda a dispersar a nuvem sufocante, porque os anúncios são a (des)propósito e já se vão ouvindo as cornetas que a petrolífera inventou para azucrinar a pouca paciência que ainda sobra às 'pessoas normais'.
... nunca mais é, sei lá, Setembro!?
Arre...
De jogos de futebol a 25 de Agosto de 2011 às 16:54
Já passei vários minutos a ver alguns posts do seu blog e já aprendi umas coisas novas, continua :D

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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