Domingo, 2 de Maio de 2010
publicado por JN em 2/5/10



É difícil especular sobre o que se vinha passando em Vila do Conde no seio da família Páscoa-Alvéolos. Uma pessoa vê tanta coisa neste mundo que não pode nunca colocar de parte a hipótese de haver algures um casal que pratica sexo em grupo com três filhos pré-adolescentes. Por outro lado, já conhece tão bem as crianças  – e ainda mais as crianças deste tempo – que também não pode nunca afastar a possibilidade de, como alegam neste caso os pais, denúncias do género não passarem de invenções da parte de crianças pispirretas, urgentes de atenção e, aliás, carentes de referências.


Mas não deixa de ser curioso que, na hora de justificar a suposta irresponsabilidade da filha de nove anos, a quem atribui a mentira (sic) que levou o casal à detenção, Amélia Alvéolos se tenha desculpado com a TV. Disse ela: “O grande mal é a minha filha ser muito faladora. Vê coisas na televisão que até não devia ver, mas a gente não vai desligar o aparelho só por causa deles.” E, portanto, não pode nunca ser completamente isentada de culpas. Dois pontos muito importantes (e sejam ou não verdade as alegações de Amélia): a televisão tem efectivamente muitas coisas que as crianças não deviam ver; e cabe aos pais fazer a devida filtragem, não aos operadores de TV.


A televisão é um meio maravilhoso e democrático, que permite aos mais pobres o acesso a entretenimento e a lazer de uma qualidade que sem ele não teriam. Mas é também um meio “demasiado maravilhoso” e “demasiado democrático” para que as famílias disfuncionais (ou quaisquer outras famílias, aliás) possam entregar-lhe a educação dos filhos. A verdade é redonda, mas conserva toda a acuidade – e, de vez em quando, é preciso recordá-la.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 2 de Maio de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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