Sexta-feira, 30 de Abril de 2010
publicado por JN em 30/4/10

A notícia sobre os planos da RTP para lançar um novo canal de música não pode merecer outra coisa senão estupefacção. Depois de mais um ano a beber na inesgotável fonte do Orçamento de Estado (inesgotável para ela, isto é) e a vampirizar o mercado publicitário que devia caber em exclusivo às operadoras privadas, a estação pública parece determinada a alargar ainda mais o seu leque de canais, desta vez em parceria com a Portugal Telecom.


A notícia ainda não foi confirmada, mas também não foi desmentida – nem pela RTP nem pela PT, de que a Meios&Publicidade, que avançou com a informação, cita fontes oficiais. De resto, a possibilidade de a estação pública diversificar a sua oferta está em estudo desde pelo menos 2007, altura em que o projecto de novo contrato de concessão, da autoria do Governo, foi apresentado.


E a questão é muito clara: se se tratar de um bom negócio, em que o ratio entre o investimento e a facturação permita à RTP aumentar a sua independência financeira (reduzindo, ao mesmo tempo, a sua dependência do Orçamento de Estado), sim; se, pelo contrário, se tratar de  mais uma departamento para engordar a estrutura, por muito que meia dúzia de pessoas cheguem para fazer um canal de música, não.


Já o percebemos: enquanto Portugal for este Portugal, os portugueses estes portugueses e os políticos portugueses estes políticos portugueses, a RTP continuará a sugar o erário público. O mínimo que pode fazer, e já que não diversifica a sua carteira de produtos em áreas onde efectivamente possa ganhar dinheiro sem aumentar a concorrência desleal para com as estações privadas, é um esforço para gastar menos. Pode ser mais simples do que isto?


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 30 de Abril de 2010

1 comentário:
De Eu a 7 de Maio de 2010 às 18:04
Antes de se criticar a RTP sobre a publicidade deve-se sim confrontar a Sporttv que é paga duplamente, a subscrição do serviço de cabo ou fibra, e a assinatura dos canais e, ainda por cima tem publicidade na sua programação. Não têm olhos para isto?
Melhor quem vai ao cinema paga bilhete para ver publicidade???!!!
Deixem a RTP fazer o seu serviço.

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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