Quinta-feira, 22 de Abril de 2010
publicado por JN em 22/4/10



Sou da opinião, já aqui o disse, de que a RTP deve ser parcialmente privatizada – e por isso saúdo o surgimento de novo candidato a primeiro-ministro disposto a colocar o tema na agenda. Embora tenha diminuído a dívida em 2009, a estação pública permanece com um défice muito superior à soma dos défices da TVI e da SIC. Apesar disso, os portugueses continuam a injectar nela milhões e milhões de euros por ano. E, apesar disto, o canal 1 continua a operar quase livremente no mercado publicitário, vampirizando um investimento que devia reverter apenas para aqueles que não dispõem de financiamento público. Se esta concorrência é leal, então não sei o que é concorrência desleal.


O que me separa de Passos Coelho é talvez ser açoriano e saber, por experiência, que o serviço público é um conceito legítimo e necessário. Nos Açores, a televisão regional foi tão essencial para evidenciar uma identidade comum às várias ilhas como, em consequência, para solidificar uma autonomia política. Da mesma forma, a existência de televisão pública nacional permite corrigir assimetrias, garantir serviços mínimos aos mais carenciados e, de resto, veicular importante informação institucional. Em minha opinião, a RTP 2 deve continuar pública; a RTPN deve ser fundida nela; a RTP Memória não faz sentido; só deve existir um canal internacional; urge serem relançados os canais regionais da Madeira e dos Açores (este segundo em estertor de morte); e a RTP1, sim, deve ser privatizada.


O problema é que nada disto vai acontecer nesta geração – e que Pedro Passos Coelho, se um dia chegar ao poder, mudará de opinião (primeiro ligeiramente, depois em definitivo). Vai uma aposta?


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 22 de Abril de 2010

1 comentário:
De SC a 24 de Abril de 2010 às 23:50
Pós 25 de Abril o assunto privatização RTP é só blá, blá, blá...Entra um, sai outro...vira o disco e toca o mesmo!!

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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