Domingo, 18 de Abril de 2010
publicado por JN em 18/4/10



O recente reforço dos conteúdos catch-up TV da Zon e do Meo assinala mais um salto em frente nos domínios da televisão de banda larga e volta a fazer evoluir o paradigma do consumo de TV em Portugal. Cada vez mais programas vão sendo colocados online nos espaços de videoclube dos dois operadores, permitindo a qualquer pessoa revê-los à hora que quiser (ou mesmo vê-los pela primeira vez se, à hora da emissão original, não só não houvesse conseguido chegar ao pé de um televisor como, inclusive, não tivesse à mão um PDA com que pudesse agendar, via web, a gravação do programa em causa).


Com isto, dois modelos de negócio ficam em risco. O retalho de aparelhos de televisão tem conseguido resistir, mas sobretudo em resultado da moda dos ecrãs plasma e dos LCD: assim que a generalidade do público já dispuser de flat screen, tornar-se-á urgente encontrar novo produto capaz de levar à manutenção dos níveis de consumo (menos no chamado “terceiro mundo”, onde o mercado tradicional ainda tem muito por onde crescer). Já o modelo de videoclube de bairro, como prova o encerramento da cadeia Blockbuster em Portugal, parece condenado: os espectadores têm cada vez mais filmes à disposição para aluguer na sua box – e, ainda por cima, têm também agora à mercê os programas de TV que não viram.


Para os consumidores de televisão de banda larga, o obstáculo passa agora a ser a tendência para a negociação de exclusivos, que também parece disposta alargar-se aos domínios da catch-up TV. Como sempre acontece, porém, o fracasso da tentativa de monopólio há-de levar à opção pelo oligopólio. Haverá desvantagens nisso. Mas a televisão continuara a crescer.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 18 de Abril de 2010

1 comentário:
De Juliana Paes a 23 de Abril de 2010 às 11:24
Concordo plenamente...

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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