Sexta-feira, 16 de Abril de 2010
publicado por JN em 16/4/10



À hora a que escrevo, ainda não sei o resultado do debate entre Gordon Brown, David Cameron e Nick Clegg, marcado para ontem à noite na ITV. Mas sei que se trata do acontecimento mais importante na política britânica desde o apoio de Tony Blair à intervenção militar de George W. Bush no Iraque. E sei que, mesmo tendo em conta as 76 regras definidas para o debate (e para os outros dois a realizar em Maio, um na Sky e outro na BBC), a política do Reino Unido nunca mais será a mesma.


Em 2000, quando se tornou no primeiro mayor eleito de Londres, Ken Livingstone começou assim o seu discurso: “Como eu estava a dizer há 14 anos, altura em que fui tão rudemente interrompido…” Presidente do Greater London Council até 1986, ano em que o órgão foi extinto contra a sua vontade, Livingstone vivera contrariado durante década e meia. Mas nem por isso alardeara o seu ressentimento: simplesmente calara-se, até que a História o reencontrasse.


Em muitos aspectos, e apesar da popularização promovida pela “Terceira Via”, a política partidária britânica manteve-se até ontem assim, elegante e circunspecta. Para escândalos, já havia a família real. Quanto aos partidos e à Casa dos Comuns, a TV esteve sempre presente, claro – e Blair é a mais cabal prova disso. Mas debates, não havia – e, portanto, nunca fora ela a ditar tão claramente as regras como a partir de agora.


Esta nova era significa, naturalmente, um reconhecimento da reiterada importância da televisão. Mas também que, a partir de agora, e como dizia em 1964 Alec Douglas-Home, pode efectivamente ser o melhor actor a ganhar as eleições. Nada a que a restante Humanidade não esteja já habituada, apesar de tudo.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 16 de Abril de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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