Quarta-feira, 14 de Abril de 2010
publicado por JN em 14/4/10



É difícil acreditar que o novo concurso de domingo à noite da RTP1, O Cubo, dure mais do que uma temporada, no máximo duas. Espécie de Jogos Sem Fronteiras em formato high tech, o programa é efectivamente um salto em frente nos domínios da tecnologia. Mas os jogos são demasiado desinteressantes para serem verdade – e não haverá seguramente muita gente para quem o espectáculo possa manter um mínimo de interesse a partir do momento em que eles começarem a repetir-se.


Jorge Gabriel, que é de facto o mais polivalente dos actuais profissionais da RTP, faz o que pode. O cenário, embora talvez excessivamente colado àquilo que se tornou regra nos concursos de horário nobre, também não destoa. Tudo o mais, porém, é realização. Os planos são óptimos – e a possibilidade de recurso à imagem rotation 3D, tipo Matrix, formidável. A sonoplastia  é cuidada – e a ideia de destacar os suspiros dos concorrentes dentro do cubo, género filme de suspense, muito boa.


O problema é que se trata de um programa sem pessoas. Mesmo os concorrentes mais carismáticos (como se esforçou por mostrar-se o segundo participante da edição de domingo passado, um professor de inglês com sotaque algarvio) acabarão sempre esmagados pelas máquinas. E, como nos mostra a nossa já longuíssima tradição de concursos de primetime, os espectadores gostam de programas com gente dentro – gente com quem possa solidarizar-se ou divertir-se, enternecer-se ou mesmo ressentir-se.


Tecnicamente inovador, O Cubo nunca seria um desperdício: é uma experiência com que a RTP fica. Urge, no entanto, encontrar melhor utilidade para essa tecnologia. Por aqui é que não é.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 14 de Abril de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
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"Banda Sonora Para
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