Segunda-feira, 12 de Abril de 2010
publicado por JN em 12/4/10

De todas as sugestões e reclamações que vou recebendo a propósito desta coluna, o tema mais recorrente é talvez o dos alinhamentos dos telejornais. Para muitos espectadores, a forma como as notícias se sucedem não faz sentido. Os serviços noticiosos, reclamam, são capazes de abrir com desporto, passar ao nacional, saltar para o internacional, voltar ao nacional, tornar ao desporto, alternar temas do dia e fait divers algures pelo meio – e muitas vezes, ao fim do jornal, ninguém percebeu ainda o que é decisivo, o que é importante e o que é curioso.


O método tem uma justificação: ao contrário dos leitores dos jornais, que regra geral são metódicos e procuram “navegabilidade”, os espectadores de TV são impacientes e implacáveis, mudando de canal à mais pequena desaceleração de tom. Naturalmente, os leitores de jornais e os espectadores de TV são muitas vezes as mesmas pessoas. Mas a mudança de registo transforma-lhes a personalidade – e um telejornal que não lhes injecte adrenalina a cada dois minutos, provocando-lhes uma vertigem imediatamente a seguir a pô-los a pensar, jamais vingará em sede de share.


Pode-se perguntar se isso é jornalismo ou espectáculo. Talvez seja um pouco de ambos. Mas é jornalismo, com certeza. Nos tempos que vivemos, e em parte devido aos modelos de comunicação que a Internet desenvolveu, o consumidor de informação é muito mais um respigador do que um cliente habitual – e ao jornalismo passou entretanto a impor-se a necessidade de espalhar estrategicamente a informação, de forma a que ele tropece nela. Sem tropeçar, hoje em dia, ninguém se senta no sofá. Não para inteirar-se do estado do mundo. Que interesse teria isso?


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 12 de Abril de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
ROMANCE,
Porto Editora,
2012
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"O Citroën Que Escrevia
Novelas Mexicanas",
CONTOS,
Editorial Presença,
2002
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"O Terceiro Servo"
ROMANCE,
Editorial Presença,
2002
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outros livros

Bíblia do Golfe
DIVULGAÇÃO,
Prime Books
2011
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"Banda Sonora Para
Um Regresso a Casa
CRÓNICAS,
Porto Editora,
2011
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"Crónica de Ouro
do Futebol Português",
OBRA COLECTIVA,
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"Todos Nascemos Benfiquistas
(Mas Depois Alguns Crescem)",
CRÓNICAS,
Esfera dos Livros,
2007
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"José Mourinho, O Vencedor",
BIOGRAFIA,
Publicações Dom Quixote,
2004
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"Al-Jazeera, Meu Amor",
CRÓNICAS,
Editorial Prefácio
2003
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