Domingo, 4 de Abril de 2010
publicado por JN em 4/4/10



Noticia o Correio da Manhã que as mulheres (inclusive, supõe-se, as mulheres sozinhas) também já começam a subscrever o canal Venus. Só podemos lamentá-lo: homens e mulheres são diferentes e sempre olharam para o sexo de maneira diferente – e que cada vez mais mulheres recorram agora, como catalisadora erótica, à observação do sexo mais cru só pode ser sinal de que os velhos mistérios da relação homem/mulher se diluíram (por um lado) e de que há cada vez mais solidão (por outro).


De resto, a última coisa que o Venus é, e para usar as palavras da sua produtora, é um canal “para mentes audaciosas”. Diz Verónica Diez que os filmes do Venus se centram sempre numa “história” e que essas histórias decorrem “em cenários fantásticos que incluem praias paradisíacas e mansões fabulosas”. As praias são de facto paradisíacas e as mansões efectivamente fabulosas, embora sempre no sentido mais primário dos termos. Mas nunca há uma história. Há, quando muito, uma intriga – a história, e como dizia Jack Horner, o realizador porno de Boogie Nights, nunca passa da velha fórmula de “to grab a man and a woman and put them to fuck”.


Que milhares e milhares de anos de pornografia (e outros tantos milhares e milhares de anos de arte pornográfica) nos tenham trazido até aqui, ainda se percebe: a pornografia não é o único género de arte que se depauperou a tal ponto em que praticamente já só subsista na sua forma mais primitiva. Que haja gente a fazer dinheiro  – cada vez mais dinheiro, ao que parece – com a disseminação do mau gosto naquele que era o último reduto da elegância e da delizadeza (as mulheres, sim, porque é que havemos de negá-lo?) é deplorável.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 4 de Abril de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
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Bíblia do Golfe
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"Banda Sonora Para
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