Sexta-feira, 2 de Abril de 2010
publicado por JN em 2/4/10



A crescente obsessão com as crianças traz-nos agora Super Miúdos (RTP, de segunda a sexta, por volta das 22.00), um concurso que parece igual aos outros todos, mas na verdade é diferente. Como em todos os outros concursos de cultura geral, há perguntas. Como em todos os outros concursos de cultura geral, as possibilidades de ganhar dinheiro a sério são reduzidas. Ao contrário de todos os outros concursos de cultura geral, porém, o público em casa torce pelo fracasso dos concorrentes, no pressuposto de que, sendo os adversários crianças iguais às nossas, uma derrota de quem foi à televisão de alguma forma vinga a subalternidade de quem ficou em casa.


Pouco a dizer sobre a produção: o décor é o do costume, a realização é ágil e a apresentação de Sílvia Alberto competente (mesmo tendo em conta a precipitação de perguntas como “São casados?”, que às vezes levam os concorrentes a responder “Hããã…”). O problema é que, tal como acontece, por exemplo, quando se compara a versão  nacional de Ídolos a algumas das suas congéneres estrangeiras, os miúdos, em si, estão longe de serem “supertalentosos, superinteligentes e super-rápidos”. Só na primeira edição que tive a oportunidade de ver, ainda o programa não ia a meio e já as crianças tinham perdido cinco provas consecutivas.


Resta aos produtores, naturalmente, a ferramenta da ordem: centrar as questões no universo infanto-juvenil (como acontecia com Sabe Mais Que Um Miúdos de Dez Anos?), perguntando sobre os cantores ultra-pop, a reciclagem ou o número de vogais do alfabeto. O problema é que, a partir daí, usar a expressão “cultura geral” já não será uma demagogia, como é agora: será apenas uma mentira.


CRÍTICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 2 de Abril de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
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"Banda Sonora Para
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