Quarta-feira, 31 de Março de 2010
publicado por JN em 31/3/10



Revê-se Eu e Os Meus Irmãos, a grande reportagem de Cândida Pinto e Jorge Pelicano agora exibida no Festival Internacional de Grandes-Reportagens (França), e percebem-se as razões por que inspirou a criação de uma organização não governamental. O terceiro mundo, já se sabe, está agora pejado de ONG perigosas, com objectivos paralelos obscuros e criminosos, incluindo a espoliação, o tráfico e o próprio terrorismo. Por esta, que recebeu o nome da própria reportagem, porém, é fácil pôr as mãos no fogo.


Porque o trabalho de que nasce não é paternalista ou manipulado, excitadinho ou tampouco “fácil”. Desde que deixámos de meter estilo com a bandeira do “jornalismo de investigação” e a substituímos pela da “grande reportagem”, o que não tem faltado pelos canais nacionais é isso: a tentação de pegar nos pobrezinhos e fazer da dor deles a nossa lágrima. Pelo contrário, Eu e Os Meus Irmãos é um pequeno oásis de contenção, nunca perdendo de vista que ali, entre os meninos de Inhambane, fracasso e resistência estão de mãos dadas e tão depressa nenhum se sobreporá ao outro, por muito que nos soubesse bem sermos definitivos sobre o desfecho.


Mérito para Cândida Pinto – e mérito também para Jorge Pelicano, autor dos documentários Ainda Há Pastores? Ou Pare Escute Olhe! Há algo de profundamente contemporâneo no resultado final. E há algo de profundamente antigo também: algo do tempo em que o jornalismo contava histórias independentemente da agenda mediática e era ainda capaz de mobilizar o público para uma causa sem que viesse de imediato contaminado de indícios de que, em breve, os protagonistas da boa-vontade se sobreporiam aos protagonistas da história.


CRÍTICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 31 de Março de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
ROMANCE,
Porto Editora,
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"O Citroën Que Escrevia
Novelas Mexicanas",
CONTOS,
Editorial Presença,
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"O Terceiro Servo"
ROMANCE,
Editorial Presença,
2002
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Bíblia do Golfe
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"Banda Sonora Para
Um Regresso a Casa
CRÓNICAS,
Porto Editora,
2011
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"Todos Nascemos Benfiquistas
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CRÓNICAS,
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"José Mourinho, O Vencedor",
BIOGRAFIA,
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2004
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"Al-Jazeera, Meu Amor",
CRÓNICAS,
Editorial Prefácio
2003
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