Terça-feira, 23 de Março de 2010
publicado por JN em 23/3/10



Extinto o Domingo Desportivo, os programas de painel dividido entre um adepto do Benfica, um adepto do FC Porto e um adepto do Sporting são agora os nossos únicos debates futebolísticos relevantes. Por um lado, ainda bem que assim é: cansados de levar o futebol demasiado a sério já andamos nós todos – e assim, reduzido à condição de conversa de café, o jogo não só regressa ao seu devido lugar como, inclusive, ganha toda uma nova dimensão lúdica.


Entretanto, há várias razões para a deslocação de Trio D’Ataque, o formato da RTP (agora circunscrito à RTPN), à cidade de Newark, em New Jersey (EUA), de onde o programa desta noite será emitido. A primeira tem a ver com a própria RTP, que conserva a preferência entre os emigrantes, compensando com programação algum do protagonismo que vem perdendo nos domínios da distribuição. A segunda tem a ver com o programa propriamente dito, que é o melhor dos três debates semanais do género existentes na televisão portuguesa.


O Dia Seguinte, da SIC Notícias, está mais do que cristalizado: os coloquiantes às vezes nem sequer os jogos viram – e, ainda por cima, Sílvio Cervan veio tornar o tom da conversa praticamente insuportável. Prolongamento, da TVI 24, mal nasceu e já parecia velho, com Pôncio Monteiro e a sua provocadora personagem  a relevarem-se insuficientes para manter vivo o interesse. Já Trio D’Ataque é de outra origem: nenhum dos participantes é uma estrela, mas regra geral todos eles pensam pela própria cabeça – e, inevitavelmente, a substância da discussão ganha com isso.


O que é preciso é que efectivamente continue a haver três clubes grandes, e não apenas dois. Mas isso é conversa de outra natureza.


CRÍTICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 23 de Março de 2010

1 comentário:
De Pedro M Lourenço a 25 de Março de 2010 às 11:45
Não esqueças o Pontapé de Saída às quintas, que é um programa muito à imagem do Domingo Desportivo, sem os resumos, pois vai para o ar á quinta e para além do painel de comentadores residentes do melhor que há (JVP e Freitas Lobo), tem sempre convidados interessantes, não se limitando a ter representantes dos 3 estarolas.

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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