Sábado, 20 de Março de 2010
publicado por JN em 20/3/10

Não sei se efectivamente se pode dizer como Charles Kenny, o célebre economista norte-americano para o qual “a televisão vai salvar o mundo”. Mas sei que os seus dados são correctos. Sei que os dados dos investigadores Robert Jensen e Emily Oster, igualmente americanos, são correctos também. E tenho poucas dúvidas, por esta altura, de que, no essencial, todos têm razão: a televisão será um dos investimentos mais seguros dos próximos anos.


Em 1995, e apesar daquilo que possamos pensar, apenas 45 por cento dos lares ao redor do mundo dispunham de TV. Esse número subiu significativamente ao longo dos dez anos seguintes, situando-se em 2005 na ordem dos 60%. Pois até 2015, e à medida que o chamado “terceiro mundo” se vai desenvolvendo, o número de lares cobertos deverá crescer outros 15 por cento. E só nos próximos três anos serão vendidos mais de 150 milhões de aparelhos, o que inevitavelmente trará uma série de oportunidades nos domínios da produção e da distribuição também.

É caso para voltar a celebrar este maravilhoso meio de comunicação. Até porque, como nota Charles Kenny, nem só à violência, à obesidade e à alienação se pode associar a TV. Por todo o mundo, milhões de pessoas vão despertando para a verdadeira natureza do poder dos ditadores que as governam. Ao mesmo tempo, centenas de milhar de mulheres subjugadas pelos maridos vão aprendendo que podem tomar sozinhas a decisão de ir ao mercado – e, entretanto, já não passam a vida a rezar por terem filhos rapazes, em vez de raparigas.

Não sou eu que o digo: são estudos académicos. Os mesmos que provam que, ao contrário do que tantas vezes pretendemos, o mundo é melhor com televisão.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 20 de Março de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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