Quarta-feira, 17 de Março de 2010
publicado por JN em 17/3/10

Quem quer que se preocupe com este negócio – este mesmo de que o leitor acaba de tornar-se parte, ao comprar o seu jornal pela manhã – sabe-o bem: o futuro da informação escrita passa pela descoberta do modelo ideal para a rentabilização da Internet. Muita gente está a ganhar dinheiro com a web, sim. Mas uma coisa são os projectos inovadores (que acabam sempre por rentabilizar-se), outra a distribuição fragmentada da oferta física previamente existente (que também já vai conseguindo fazer-se pagar), e outra ainda a venda regular de informação sólida e profissional antes circunscrita ao papel (que já encontrou vários caminhos para a sua reposição online, mas não a forma ideal para fazer-se cobrar por isso).


Até lá, e neste contexto em que nos sobra cada vez menos tempo para nos sentarmos a ler, o negócio dos jornais estará limitado. Mas não só o dos jornais: também o da televisão. Porque, a partir do momento em que a informação online deixar ser absolutamente gratuita, a própria TV dificilmente condescenderá com a vampirização de que é alvo neste momento. Primeiro facto: os cultos que vão sendo criados na Internet em torno de pequenos e grandes formatos televisivos, com programas inteiros colocados à disposição de toda a gente em sites como o YouTube, são óptimos para a divulgação da actividade televisiva. Segundo facto: essa disponibilização é quase sempre feita sem a presença dos anunciantes – e, à medida que for crescendo, tornará o negócio da televisão menos atractivo.

No que diz respeito à revolução digital, talvez não estejamos já na Pré-História, mas não estamos mais avançados do que na Idade Média. Interessantes tempos nos esperam.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 17 de Março de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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livros de ficção

"Os Sítios Sem Resposta",
ROMANCE,
Porto Editora,
2012
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"O Citroën Que Escrevia
Novelas Mexicanas",
CONTOS,
Editorial Presença,
2002
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"O Terceiro Servo"
ROMANCE,
Editorial Presença,
2002
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outros livros

Bíblia do Golfe
DIVULGAÇÃO,
Prime Books
2011
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"Banda Sonora Para
Um Regresso a Casa
CRÓNICAS,
Porto Editora,
2011
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"Crónica de Ouro
do Futebol Português",
OBRA COLECTIVA,
Círculo de Leitores,
2008
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"Todos Nascemos Benfiquistas
(Mas Depois Alguns Crescem)",
CRÓNICAS,
Esfera dos Livros,
2007
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"José Mourinho, O Vencedor",
BIOGRAFIA,
Publicações Dom Quixote,
2004
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"Al-Jazeera, Meu Amor",
CRÓNICAS,
Editorial Prefácio
2003
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