Segunda-feira, 15 de Março de 2010
publicado por JN em 15/3/10

Todos os anos é assim: uns raiozinhos de sol, e logo as televisões desatam em reportagens sobre as dietas, os ginásios e as novas colecções de biquínis em que as senhoras vão querer entrar. Só este sábado, contei quatro peças, espalhadas por vários canais, a anunciar que a loucura do Verão começa a instalar-se. Na Páscoa, já se sabe, teremos as filas para sair de Lisboa. Nos feriados de Junho, as reportagens nas praias, com imagens dos primeiros mergulhos a sério. E em Agosto, claro, os apontamentos, as historietas e até os directos das festas algarvias, cheias de jet set e de vox pop.


Todos os anos é assim e, pelos vistos, sempre assim será. Em Janeiro são as resoluções de Ano Novo, em Março as férias de sonho, em Outubro o regresso às aulas, em Dezembro os balanços do ano – tudo como uma espécie de check list à base de reportagens prontas-a-usar, em que é só esticar o microfone ao povo, mudar as proposições ao texto do ano passado e deixar tudo na edição para o tipo de montagem fazer igual a sempre. E a pergunta inevitável não é apenas: “Onde está a criatividade?” É também: “Onde está a dimensão humana em que deve fundamentar-se o jornalismo, incluindo o inevitável pressuposto de que cada história é uma história?”

O mundo mudou muito. As redacções estão depauperadas, a agenda está cheia de conferências de imprensa a propósito da crise e da corrupção – e, ainda por cima, o desemprego, as falências e as misérias fazem aumentar os roubos e os homicídios. Mas a primeira obrigação de um jornalista é ter um olhar sobre o mundo. Ora, se o seu olhar permanece o mesmo de sempre, tendo o mundo mudado tanto, o que se pode dizer desse jornalista?


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 15 de Março de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
ROMANCE,
Porto Editora,
2012
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"O Citroën Que Escrevia
Novelas Mexicanas",
CONTOS,
Editorial Presença,
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"O Terceiro Servo"
ROMANCE,
Editorial Presença,
2002
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Bíblia do Golfe
DIVULGAÇÃO,
Prime Books
2011
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"Banda Sonora Para
Um Regresso a Casa
CRÓNICAS,
Porto Editora,
2011
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"Crónica de Ouro
do Futebol Português",
OBRA COLECTIVA,
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"Todos Nascemos Benfiquistas
(Mas Depois Alguns Crescem)",
CRÓNICAS,
Esfera dos Livros,
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"José Mourinho, O Vencedor",
BIOGRAFIA,
Publicações Dom Quixote,
2004
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"Al-Jazeera, Meu Amor",
CRÓNICAS,
Editorial Prefácio
2003
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