Sábado, 13 de Março de 2010
publicado por JN em 13/3/10

Na minha escola havia bullying, e a selecção das vítimas sempre foi a coisa mais fácil. Rapazinho gordo, já se sabe, era pato sentado. Caixa-de-óculos, com orelhas saídas e especial predilecção pelas aulas de Inglês, alvo preferencial também. Miúdo de trejeitos delicados, de pés às dez-para-as-duas, fotos dos Duran Duran nos cadernos e o hábito de sentar-se na porta do pavilhão, ao lado das meninas, enquanto os rapazes jogavam à bola? Estava lixado. Bom aluno? Não tinha hipóteses. “Mimoso” de sobrenome? Sai da frente. Pobre? Salve-se quem puder. Mal vestido? Ui. Protestante? Coitadinho. Com personalidade idiossincrática? Ai Jesus. Dotado de um mínimo de interrogações sobre o que andamos todos a fazer neste mundo e que esforços verdadeiramente precisamos de empreender para suplantar a nossa vil condição? Virgem Maria.


As crianças, nem é preciso dizê-lo, são crudelíssimas. Nascem selvagens, infinitamente mais mesquinhas do que pretendeu Rousseau – e naquelas idades, desprovidas tantas vezes dos mais básicos códigos de socialização (que muitas não chegarão a integrar), estão ainda perigosamente próximas da irracionalidade absoluta. A mim, chatearam-me um bocado. Eu jogava à bola e não gostava de falar inglês em público, mas era relativamente gordo, razoavelmente bom aluno, comparativamente pobre, culturalmente protestante – e, para além disso, tinha uma daquelas personalidades conspícuas de quem não se fica nunca. Se vim a garantir uma recta final de adolescência pelo menos razoável, aliás, foi porque acabei por fazer como se faz na prisão: identifiquei o mais fraco de todos e, na primeira oportunidade, desfi-lo em pedacinhos, passando-lhe o papel de mártir oficial do pátio.

Só nos últimos anos aprendi a rir-me disso, porém – e apenas depois de constatar que o bonitinho de São Carlos era agora distribuidor de pirolitos, o filho do doutor Almeida levava pancada da mulher e a estrela da equipa de basquetebol não perdia uma oportunidade para pedir-me emprego. Chamem-me arrogante, se quiserem: é mesmo isso que eu sou. Tenho pela minha terra e pela minha gente uma paixão quase obsessiva. Mas anda Freud às voltas dentro de mim, como de resto dentro de vós. Não me esqueço dos calduços, das belinhas e das graçolas classistas, independente de as classes em causa serem sociais, religiosas ou apenas futebolísticas. Não me esqueço de que me obrigaram a humilhar o João Paulo, que era talvez o melhor de nós todos. E não me esqueço, principalmente, de que o bullying, no meu tempo, não era apenas um entretém para os miúdos: era um entretém para os próprios professores.

Lembro-me de um professor de Trabalhos Manuais, tonto como só os professores de Trabalhos Manuais, que gostava ver-nos à bulha. Lembro-me de um professor de Ciências, pai de um rapaz lá da turma, que adorava representar o papel de tutor intelectual da maioria cool. Lembro-me de uma professora de Práticas, rapariga das freguesias, que se pelava pela aprovação dos jovens queques, betinhos e hot shots, na presunção de que assim se tornava uma deles. Lembro-me de que nenhum alguma vez parou a olhar para o João Paulo, sequer consciente do seu sofrimento e do caminho que ele começava a empreender em direcção ao declínio precoce (que não tardou). E lembro-me de que, embora aqui se fale de docentes pouco qualificados, titulares de disciplinas onde sobrava o tempo para tolices, muitos outros professores pelo menos condescendiam com a violência.

Não sei como é o bullying hoje em dia. Não tenho filhos – e a maior parte das crianças dos meus amigos está numa idade em que essa persistente humilhação (essa persistente brutalidade, esse persistente tormento, essa promessa de prisão para a vida inteira) ainda estará apenas em incubação. Mas sei como era no meu tempo: parte da responsabilidade era da escola, dos professores, dos contínuos – daqueles em quem os pais, os primeiros incompetentes da equação, delegavam a educação dos miúdos. E o que constato, depois deste trágico caso de Mirandela sem o qual parecíamos prontos a fazer vista grossa aos sinais durante não sei mais quantas décadas, é que a situação está ainda pior. Que os miúdos estão ainda piores. Que a escola está ainda mais burocratizada e desatenta. Que os pais são ainda mais desastrosas referências. E que tantas e tantas crianças continuam a postos para que a violência se lhes incruste no carácter para o resto da vida.

Pois agora já nem sequer parece estar garantido um “resto da vida”. Podiam ser mais desesperados, estes tempos?


CRÓNICA ("Muito Bons Somos Nós"). NS', 13 de Março de 2010

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17 comentários:
De Manuel da Silva Carvalho a 14 de Março de 2010 às 00:45
Embora este fenómeno do bullying tenha ganho eco nos últimos anos, o comportamento em si não é novo. O que há, agora é um olhar mais atento e direccionado para estas práticas. Sempre houve brigas entre miúdos e graúdos. Estes comportamentos de violência não são pontuais e repetem-se no tempo. Mas, o que estará na base desta violência gratuita? Há alturas em que a criança ou o mais maduro, para se sentirem mais seguras, precisam de mostrar aos outros que são mais fortes e o bullying pode ser encarado como uma forma de exorcizar os medos. Para garantir a conquista pelo poder, os agressores vão detectando as suas vítimas nos recreios da escola. O bullying baseia-se, por isso, numa luta desigual: há uma vítima e um agressor. As vítimas são, normalmente, miúdos emocionalmente retraídos e com menos capacidades para encontrarem soluções ou fazerem queixa. Nestes comportamentos está implícita uma desigualdade de estatuto e de poder entre os alunos envolvidos. O agressor exerce a sua supremacia através da força física, pelo facto de ser mais velho, de ter mais popularidade na escola e de ter um grupo de pares mais alargado. Contrariamente à vítima, que, regra geral, é um aluno mais negligenciado, mais rejeitado e com menos amigos que o defendam. Ninguém ficou indiferente à tragédia daquele menino de 12 anos, Leandro, que se lançou às águas do rio Tua. O bullying nas escolas portuguesas, o gesto desesperado deste jovem devem constituir motivos de preocupação de toda a sociedade, porque vivemos no séc. XXI, e este tipo de praticas são quase animalescas. O bullying sempre existiu ! Podia estar mais ou menos camuflado, e ser designado de diversas formas, mas não é de maneira nenhuma um fenómeno novo. E não é só nas escolas que ocorre. As escolas são os locais mais visíveis e expostos aos olhos da sociedade. Não sendo um problema de fácil resolução, ele deveria merecer toda a atenção dos nossos políticos. Penso que o nosso sistema educativo precise reforçar os seus valores... As crianças mais dependentes dos pais para a sua autonomia, tornam-se os alvos mais fáceis e apetecíveis dos colegas agressores. As famílias, encarregados de educação e toda a comunidade em geral têm que estar cada vez mais atentos a estes fenómenos que foram de sempre mas que, infelizmente, se tornaram mais selectivos e pungentes, no entanto, talvez não tão generalizados como os meios de comunicação social pretendem assinalar e fazer crer!
De beatriz lamas Oliveira a 17 de Março de 2010 às 20:29
é bom ler violência sentida na pele.
é bom ver o bullying tratado com verdade.O discurso oficial, paternalista, sobranceiro,ignorante e sociopata ajuda apenas a eternizar o problema.As crianças são crudelíssimas.Os adultos em que se hão-de tornar são violentos,ignorantes,simulados,tartúficos.
Mas os adultos que o são agora e que tentam velar a verdade para se defenderem,não são crueis.
São perigosíssimos.
De beatriz lamas Oliveira a 17 de Março de 2010 às 20:39
o bullying pode ser encarado como uma forma de exorcizar os medos?
Não pode ,não!
o bullying não é um exorcismo.
o bullying é a prática e a perpetuação da prática de tirar prazer da humilhação dos mais fracos.O bullying é o conseguir tirar prazer físico,prazer imediato,que pode chegar ao orgasmo, de poder dominar outros seres humanos.O poder de se sentir o mais forte.
Rapaz ou rapariga que pratiquem o prazer do bullying não se transformam em adultos modelares.Não exorcizam nada.Mas seguramente descobrem que é melhor ocultar este prazer obsceno.Sobretudo se escolherem ser ,mais tarde,professores ou médicos..
De Jorge Resende a 19 de Março de 2010 às 23:23
O Bulling " é um fenomeno antigo... É o de facto.
Contudo mudaram-se os tempos e como consequência mudaram as formas de oprimir os seus pares.
Antes a humilhação acontecia e acabava na escola... agora continua por sms , ou pior ainda por MMS , ou se tivesse alguém com a mania da realização... a humilhação está ao alcance dos olhos do mundo e... continua com o um simples click ".
O Bulling infelizmente é um problema estrutural que tem a sua manifestação final no comportamento agressivo e/abusivo para com outro, mas tem origem no seio de familias com pouco ou nenhum tempo para educarem devidamente os seus filhos... e falta-lhes a paciência para ouvirem os seus filhos, para saberem quem são os seus amigos, como passam o tempo e muitas vezes o bom senso para lhes ensinar a diferença entre o bem e o mal.
Esta tarefa foi atribuida às escolas e aos professores... mas ao mesmo tempo acharam por bem retirar autoridade aos mesmos... pois a autoridade mora em casa...mas infelizmente ficou esquecida num armario ou numa prateleira qualquer, juntamente com as fotos dos avós tiranos.
Por ultimo, esta sensação de poder..." EU É QUE MANDO LÁ NA ESCOLA" antes existia mas tinha os dias contados quando aos 18 anos nem o setimo ano tinham... ai entrava o serviço militar obrigatorio. .Não é preciso puxar muito pela memoria para verificar uma estranha relação entre o fim do serviço militar e o aumento da indisciplina nas escolas... ( era muito mau para os meninos... agora não há guerras ).
Infelizmente estamos a presenciar uma especie " de guerra... é uma especie de guerra civil educativa onde mais uma vez o mais forte ( e menos racional ) impera com o seu terror e impondo as suas "ditaduras"... e digo uma guerra porque parando bem para pensar... tal como nas guerras... verifica-se que quem está a praticar o mal... não está a ter o devido castigo... passa impune e passa a mensagem errada.

De Pedro a 20 de Março de 2010 às 02:23
Só para dar uma resposta, e talvez numa interrogação retórica: Os senhores, e senhoras, acham que é fácil discutir assunto, sem sequer terem estado em contacto com o meio escolar? Ou mesmo falarem de bullying sem nunca o terem experimentada na pele? Lá está: falar e "opinar" é muito fácil. Quando se é tratado da dita maneira é que já perdemos o "pio".
Adiante: não concordo com as pessoas que o Srº Crítico aponta como "vítimas de bullying". Eu sou um rapaz bem constituído (gordo não, peso somente 70 kg), tenho tendência não digamos para o beto, mas gosto de me vestir bem, sou bom aluno (não os ditos "cromos"), e na minha escola nunca existiu o dito bullying. Aliás, hoje, para mim e do que vejo da juventude que temos, só não nos damos com as pessoas e só somos vítimas desta prática se quisermos.
O contorno a isto, e eu garanto-vos que já tive em turmas bem, bem apertadas, com um clima e educação de cortar à faca, é muito fácil: passa por tentarmos integrar-nos no dito cujo, quer queiramos quer não.
Agora grande erro que a maioria destas "crianças" inocentes cometem é o seguinte (e sim crianças, mesmo que tenha 16 anos, pq isto é uma situação mesmo muito fácil de contornar, eu próprio já tive situações de confronto pleno com a turma inteira e dei a volta por cima): os jovens não fazem o esforço para se adaptarem, e pioram ao escolher como amigos as pessoas "mais cromas" da turma (quando digo cromas, entenda-se, menos populares), e claro está, dada a natureza do ser humano, abusa-se, abusa-se, até chegarmos a este conceito. E muitas das vezes, os jovens não sabem separar aquilo que são em casa, e aquilo que têm que ser no meio escolar para se integrarem. Com o mundo que possuímos hoje, é dificil não existirem duplas personalidades: uma, por um lado, formada pelos princípios e valores dos nossos pais e pela educação dada pelo processo de socialização e pela vinculação, e outro, ligado à adaptação ao meio como forma de reintegração numa dada comunidade.
Dito isto, meus amigos, é tão simples como isto, e volto a frisar: só é vítima de bullying quem quer, só prolonga a situação quem se disponibiliza a tal.
De Professora a 20 de Março de 2010 às 09:08
Hoje os pais não sabem ser pais, não têm tempo para o ser e cometem erros atrás de erros na educação dos filhos (que estão sempre na escola). Os professores não são os pais deles...! E as crianças sabem isso! Porque os seus pais fazem QUESTÃO de lhes dizer isso à porta da escola!
De Victor a 20 de Março de 2010 às 10:36
Não sei se o que vou dizer será consensual, também não me preocupa isso. Pessoalmente creio que o dito bullying nasceu desta moda actual de dar nome a tudo e mais alguma coisa, importando dos EEUU as ondas de uma mentalidade que se preocupa excessivamente por coisas naturalmente acontecíveis…
Quem não andou à porrada na escola? Quem não foi vítima daquele galã que se «armava» em bom e passava por nós como se fosse mais alto, mais importante, mais rico…como um vencedor? E eu, e nós, os da nossa geração, que fizemos? Pois aprendemos a defender-nos, a lutar, a singrar no meio das adversidades.
Com certeza que lamento o sucedido com esta e outras crianças que tomam atitudes drásticas… Mas, mais do que lamentar, reflicto se o que está a acontecer não é o resultado de uma excessiva, hiper protecção da garotada de hoje, de tal modo que ficam deformados, incapazes de enfrentar as dificuldades e de superá-las sem recorrer ao suicídio? Creio que, por trás de tudo isto, está esta sociedade que retirou aos pais o direito de educar com autoridade, ameaçando-os com não sei que número telefónico a que o menin@ pode recorrer se levar um estabefe, ou aos professores que hoje levam com cadeiras pelas pernas, com berros dentro das aulas, com “malta” que se borrifa no que ensinam e dizem, etc, etc, etc. Bullying??? Não sei… Falta de carácter da miudagem? Sem dúvida. E de quem é a culpa?
De M&M a 20 de Março de 2010 às 12:24
leitora assídua da crónica do NS', fiquei agora a conhecer o blog.
parabéns pela escrita.
De Vendaval a 20 de Março de 2010 às 12:30
E a Praxe? Não será um bullying encapotado?
A Praxe não é mais do que um bullying apesar de pretender ser um meio integração !! no grupo.
A violência, a violação, como meio de integração. Violência, violação, sim, porque qualquer tipo de humilhação é violência, é uma violação à integridade da pessoa humana. Mas quem o quer ver?
O problema é mais grave quando meio mundo o aceita passivamente, sem questionar a sua legitimidade.
O que é que a legitima? nada!!
A PRAXE É UM BULLYING


De Margarida a 20 de Março de 2010 às 14:10
Bullying, é mesmo uma palavra nova, porque o que representa é exactamente o que sempre se passou em todas as escolas em todo o Mundo. As crianças/adolescentes são cruéis por natureza. Nas escolas são normalmente formados grupos de crianças que já se conhecem, ou porque são vizinhas, frequentaram outra escola, ou porque os pais são amigos e especialmente porque gostam da mesma banda, vestem o mesmo estilo, dizem as mesmas asneiras, etc.. Quem está só e não tem caracteristicas identicas, tem que ser muito forte e inteligente para saber dar a volta e ser respeitado. Se não se defende e fica isolado torna-se o alvo de todos. Estou convencida que a educação que actualmente se dá a muitas crianças está a piorar a situação. É preciso desde pequenos brincar com outras crianças, cair e levantar-se, arranhar joelhos, partir a cabeça, jogar à bola, não ser choramingas, e sobretudo ter auto-confiança. É lamentável a forma como actualmente as crianças são formadas, não saem à rua, brincam sózinhas, não fazem qualquer tipo de desporto, não andam de bicicleta, têm uma alimentação demasiado rica em açucar (ficam obesas), criam vicios porque estão muito sós ou sempre com adultos, não fazem parte de grupos (p.ex. escuteiros). Chegam à escola e são o alvo de todos os grupos dos "espertos", bem vestidos(modas), que conhecem todas as bandas actuais, fazem desporto e sabem andar ao "estalo". Começa assim na infância e continua pela vida fora, como se vê o "Mundo é dos espertos, bonitos e engraçados", mas também dos inteligentes. É o reino animal, o mais fraco deve ser abatido. Por tudo isto acho que as crianças devem ser ensinadas a viver em sociedade e aprenderem a se defender desde muito pequenas. Sem deixarem de ser pessoas dignas, justas, confiantes e cultas.

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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