Domingo, 7 de Março de 2010
publicado por JN em 7/3/10

1. Miguel Sousa Tavares tem razão: são absurdas as queixas formais dos telespectadores sobre a forma opiniosa como o jornalista tem conduzido o seu Sinais de Fogo. Nem entrevista é notícia nem o jornalismo tem de ser todo imparcial (se é que alguma vez algum o foi em absoluto). Mas não deixa de ser curioso que, ao fim de dois programas, tudo o que se debata sobre Sinais de Fogo seja quem lá esteve, como o entrevistou MST e como se entenderam os dois protagonistas. É importante que, mais cedo ou mais tarde, se fale também do que as pessoas disseram.


2. A TVI não foi surda aos apelos e preparou melhor a transmissão da chamada “cerimónia dos Óscares” deste ano, agendando para a TVI24 um longo programa de lançamento, apresentado por Pedro Granger. Ainda não se sabe o que vai sair dali, mas é justo elogiar a humildade – e, de resto, a atenção à necessidade de potenciar o produto. Pena que, aparentemente, o directo do Kodak Theatre em si volte a decorrer segundo o velho formato, com Vítor Moura e José Vieira Mendes enfiados numa cave esconsa, sem rede ou preparação, a dizer o que lhes vem à cabeça.

3. A nomeação de Castigo Final para os Emmy Awards honra a produção portuguesa (e a da beActive em particular), mas envergonha a televisão. Há diversas áreas da aplicação da tecnologia à TV em que Portugal está verdadeiramente na frente (outro exemplo é o da IPTV, onde o Meo é um case study mundial). Infelizmente, para os directores nossos principais canais, tudo se resume às vezes a um jogo de egos e a uma luta imediatista pelas audiências, mais até do que pelo mercado publicitário. Resultado: Castigo Final passou no Brasil, mas não em Portugal. Faz sentido, isto?


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 7 de Março de 2010

1 comentário:
De Margarida a 8 de Março de 2010 às 18:13
Joel, vi dois programas. Creio que os únicos (isto já é muito que fazer, escapam-se-me coisas :) e se no que o Miguel entrevistou o engenheiro o 'senti' com cautelas (foi, foi), naquele em que entrevistou o senhor Amaral foi de uma ferocidade a toda a prova!
O programa é dele e pode fazer como entender - e os entrevistados permitirem -.
Certo é que o desconforto do ex.inspector se estendeu à plateia (pelo menos à minha) -; não deu margem a que explicasse nada, não parava de o interromper com invectivas e um forte tom acusatório. Não gostei.
Como escrevi algures, eu bem me esforço por gostar dele, mas ele não deixa!
Mas hoje lá estarei, à espera do que tem para dizer.
Enquanto não amuar de vez, fico, mesmo que olhando-o de soslaio.

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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