Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010
publicado por JN em 25/2/10

Há um momento exemplar na entrevista de Miguel Sousa Tavares a José Sócrates. MST parece ter cercado o primeiro-ministro com uma pergunta sobre o processo Face Oculta, mas este esquiva-se bem. Para capitalizar o momento, decide contra-atacar. Então, começa: “Está a ver como você julga as pessoas apre…” É nesse instante que reconsidera. E reformula: “Está a ver como você julga as pessoas um pouco apressadamente?”


Aquele “um pouco” tem significado. Porque este primeiro Sinais de Fogo (SIC), foi precisamente isso: um pouco de tudo, muito de nada. Entrevistador e entrevistado policiaram-se como dois pesos-pesados que arriscam um soco e logo se abraçam, para evitar murros demolidores – e, no fim, não conseguiram produzir uma declaração que justificasse um título de jornal. Para grande happening televisivo da temporada, e apesar da boa audiência, foi decepcionante.

Mas houve a audiência – e o facto é que nenhum jornal deixou de dedicar-lhe uma peça descritiva. Razão simples: trata-se de Sousa Tavares, a personalidade portuguesa com mais valor mediático na área política. E, nesse sentido, há motivos para acreditar numa melhoria de conteúdo ao longo das próximas semanas. Até porque se assume sem pruridos aquela que é a grande aposta: MST ele próprio, o protagonista do genérico, o autor da longa crónica com que o programa começa e a grande influência do tom das peças que o povoam.

Ainda vamos beneficiar muito deste Sinais de Fogo. Para já, no entanto, tudo não passou de cerimónia de apresentação. Mesmo se, até certo ponto, foi agradável ver colocadas questões relevantes sem a inflamação “rottweiler” a que, desgraçadamente, nos vínhamos habituando.


CRÍTICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 25 de Fevereiro de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
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"Banda Sonora Para
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