Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010
publicado por JN em 19/2/10

Diz José Eduardo Bettencourt que quer operar uma revolução no Sporting. Por acaso acho que a expressão que ele usou foi “mudanças estruturais”, mas estou em crer que aquilo a que se referia era mesmo a uma “revolução”. E, como eu também tenho um plano revolucionário para 2010-2011, gostava de partilhá-lo aqui. Convosco e com ele. Como uma espécie de contributo.


Eu começava, claro, pelos guarda-redes. Nenhum dos que temos actualmente serve para titular do Sporting, mas é justo dar a Rui Patrício a oportunidade de se arrastar pelo banco de suplentes durante uns tempos. Dois guarda-redes novos para os lugares de Tiago e Ricardo Baptista, pois – eis a urgência. E, se Patrício acabar na bancada, pois paciência.

Na defesa, é preciso mudar quase tudo. João Pereira serve para titular. Daniel Carriço e Tonel podem ser razoáveis suplentes. De resto, mais ninguém serve. São urgentes dois centrais altos, possantes e, apesar disso, com boa qualidade técnica. É preciso mais um lateral-direito e são precisos dois laterais-esquerdos. Mexer talvez possa ser testado como estagiário ao longo da primeira metade da temporada. Abel, Pedro Silva, Polga, Caneira, Grimi – nenhum serve para o Sporting.

No meio-campo é parecido. Pedro Mendes pode ser titular. Pereirinha tem condições para ficar no, digamos, fundo do plantel. Izmailov, Miguel Veloso e João Moutinho são activos vendáveis, pelo que não se deve perder tempo. Vukcevic bem pode ir como brinde, que eu já não me importo. Adrien não serve. Matias também não. E são precisos, naturalmente, um ala direito, um trinco, dois médios-centro (um mais “8” e outro mais “10”, para usar uma linguagem moderna) e um ala esquerdo.

No ataque, idem aspas. Liedson é titular de caras. Yannick pode ficar no fundo do plantel também. Pongolle talvez ainda valha uma parcela do que custou, pelo que o melhor é garanti-la já. Saleiro e Hélder Postiga não servem. Compras obrigatórias: um ponta-de-lança de raiz e dois avançados com capacidade de rasgar pelas alas, um com apetência pela esquerda e outro com apetência pela direita.

No total, ficamos com 24 jogadores. Quinze são contratados e um é chamado a casa (Mexer). Dos que saem, cinco são vendidos e onze são oferecidos, desbaratados, dispensados – enfim, o que seja. Para urgências, testes e demais tropelias, algum dos 17 (repito: dezassete) juniores e ex-juniores que inscrevemos esta temporada há-de servir.

Entretanto, muda-se o treinador, muda-se a equipa técnica, muda-se até a equipa médica. Muda-se o director de futebol, claro. E, inevitavelmente, muda-se o presidente. José Eduardo Bettencourt fez duas ou três coisas bem, mas por cada coisa que fez bem fez uma dúzia mal. De resto, declarou que o Sporting deve viver agora à imagem do FC Porto, gravitando em torno de “um director desportivo forte”, que é coisa que o FC Porto nem sequer tem – e, entretanto, foi de férias.

Não há dinheiro para isto? Então tenham a coragem de dizer-nos que o Sporting não é viável. Para ouvir agora que o Sporting não soube adaptar-se “aos tempos modernos”, como Bettencourt disse esta semana, é que já não estou disponível. Mas não era exactamente por estar na linha da frente da modernidade que o Sporting nos vinha obrigando a tantos sacrifícios e tanta humilhação?


 


PS: registo com deleite a escolha de Olegário Benquerença para apitar o FC Porto-Sp. Braga. Está ano não falha nada.


CRÓNICA DE FUTEBOL ("Futebol: Mesmo"). Jornal de Notícias, 19 de Fevereiro de 2010

1 comentário:
De António Ro a 23 de Fevereiro de 2010 às 20:52
Quase de acordo com tudo. Como sportinguista, ando a dizer há muito tempo, que estão jogadores no plantel que não têm valor para representar o Sporting. Depois é a questão da estatura, com o meio campo que temos, não conseguimos ganhar uma bola de cabeça. Dava jeito comprar bons jogadores e se possível com mais de 1, 85m, pois devemos ser a equipa mais baixa da liga. Sofremos golos de cantos e livres, mas não conseguimos marcar nenhum nessas circunstâncias

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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