Sábado, 30 de Janeiro de 2010
publicado por JN em 30/1/10

O regresso da Rui Unas à apresentação, marcado para a Primavera na SIC Radical, é uma das primeiras grandes notícias do ano. Unas faz falta à nossa televisão – e é mesmo pena que continue, para já, à espera de uma verdadeira oportunidade no segmento generalista, incluindo o horário nobre dos canais de sinal aberto. Inteligente e culto, tanto quanto espontâneo e cómico, Rui Unas tem o perfil ideal para ajudar a elevar a fasquia da qualidade do nosso mainstream sem, ao mesmo tempo, a colocar tão alta que os consumidores de mainstream não consigam atingi-la.


Mas convém perceber as razões que estiveram por detrás do seu ocaso, ocorrido entre Cabaret da Coxa (SIC Radical) e Inimigo Público (SIC). Cabaret da Coxa era um prodígio de forma: um verdadeiro statement sobre a trash TV, as suas potencialidades e os seus limites – mas ao fim de algum tempo cansava, por falta de conteúdo. Pelo contrário, Inimigo Público, que de generalista só tinha o canal (o horário tornava-o inacessível), era um prodígio de conteúdo, tal como o era na altura a sua versão em papel – mas fora muito mal pensado do ponto de vista da forma e, ao fim de pouco tempo, adormeceu.

O que se espera do novo programa, que Rui Unas começará a apresentar depois das gravações de Viver É Fácil para a RTP (e cujo nome continua por anunciar), é que lhe proporcione finalmente uma forma que lhe permita exibir o seu próprio conteúdo, sem deixar de proporcionar-lhe também um conteúdo que o proteja dos seus próprios excessos de forma. Porque o facto é este: desde que o Gato Fedorento começou a gozar a enésima sabática, o humor televisivo nacional tem sido um deserto.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 30 de Janeiro de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
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"Banda Sonora Para
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