Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009
publicado por JN em 31/12/09

A televisão portuguesa está em modo “pausa”, à espera de melhores dias. Basta olhar para aquilo que nos propõem os canais generalistas para o Réveillon: Dança Comigo no Gelo Especial na RTP1, Ídolos Especial na SIC, Uma Canção Para Ti Especial na TVI – exactamente o mesmo de sempre, como se nem sequer fosse dia de festa (apenas um dia em que há mais gente em frente à TV).


Para o telespectador, é deprimente. Dias de festa não são apenas dias de festa: são também balizas para a passagem do tempo, marcos para delimitar os acontecimentos de uma vida e de uma sociedade. Acontece que não há dinheiro. E, aparentemente, no século XXI é assim: a falta de dinheiro não inspira a criatividade, mas a repetição de fórmulas.

Nem sequer é coisa só nossa, muito menos só da televisão. No próprio cinema, os projectos ousados estão praticamente votados ao esquecimento, com as grandes produtoras (e as grandes distribuidoras) a promoverem quase em exclusivo os filmes de bilheteira garantida, esquecendo, por exemplo, os pré-candidatos aos Óscares.

Acontece que a TV generalista vive os seus últimos dias. Mudou tudo nos últimos três anos – e, dentro de outros três, já poucos estarão na disposição de ver “isto” (ou sequer “assim”). Pois o meu receio é de que os canais abertos passem demasiado tempo em modo “pausa”, negligenciando a necessidade de reconverter-se – e reduzindo definitivamente o seu público, muito em breve, aos reformados, às donas de casa e aos doentes nos hospitais.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 31 de Dezembro de 2009

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
ROMANCE,
Porto Editora,
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"O Citroën Que Escrevia
Novelas Mexicanas",
CONTOS,
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"O Terceiro Servo"
ROMANCE,
Editorial Presença,
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Bíblia do Golfe
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"Banda Sonora Para
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CRÓNICAS,
Porto Editora,
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"Todos Nascemos Benfiquistas
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