Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009
publicado por JN em 22/12/09

Diz José Carlos Castro, citado pelo Correio da Manhã, que a razão por detrás do facto de se falar tão mal na TV portuguesa (e de se escrever igualmente mal nos seus rodapés) é a falta de tempo para a produção condigna da informação. A mim, o que me surpreende é saber que foram os espectadores quem, através de queixas ao provedor da RTP (mas com referências a todos os canais), denunciou o problema.


Na verdade, não se fala mais mal na televisão do que se fala pelos transportes públicos, pelas repartições e até pelas salas de conferências deste país. Gozamos com os jogadores de futebol, mas na verdade somos iguais: falamos e escrevemos todos mal – e falamos e escrevemos todos mal porque a expressão escorreita deixou de ser um imperativo cultivado nas famílias, nas escolas e, inevitavelmente, na relação de uma pessoa consigo própria.

Mas pode criticar-se a inabilidade dos nossos jornalistas de TV no manuseamento da oralidade. Vivemos o tempo da linguagem oral: um tempo em que a própria literatura tenta corresponder ao apelo da expressão simples e musical do dia a dia. Por outro lado, a maior parte dos jornalistas não sabe a diferença entre a oralidade e a vulgaridade – e muito menos a forma como cada uma delas pode ser manipulada para reproduzir uma atmosfera ou induzir o próprio pensamento.

Problema: na TV é preciso improvisar, queimar tempo, encher chouriço. É trapézio sem rede – e os pivôs, como nós, não polvilharam as mãos com pó de talco.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 22 de Dezembro de 2009

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
ROMANCE,
Porto Editora,
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"O Citroën Que Escrevia
Novelas Mexicanas",
CONTOS,
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"O Terceiro Servo"
ROMANCE,
Editorial Presença,
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Bíblia do Golfe
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"Banda Sonora Para
Um Regresso a Casa
CRÓNICAS,
Porto Editora,
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"Todos Nascemos Benfiquistas
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"José Mourinho, O Vencedor",
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Editorial Prefácio
2003
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