Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009
publicado por JN em 18/12/09

Na RTPN nem sequer houve noticiário: a reposição de Trio D’Ataque prosseguiu tranquila. Na TVI24 houve noticiário, mas parecia que não tinha acontecido nada: a abertura do jornal foi com o “caso Face Oculta”. Na SIC Notícias houve noticiário e houve abertura dedicada ao tema, mas uma coisa tão críptica que mais valia nem fazer nada. Às duas da manhã de ontem, 23 minutos depois de o continente português ser afectado pelo seu maior sismo em 40 anos, ainda as nossas televisões noticiosas não sabiam de nada – ou, pelo menos, não tinham nada para dizer.


Talvez haja algo de cruel em registá-lo. Mas foi esse o regime que a televisão impôs: o regime do directo (ou, em não sendo possível directo, do em-cima-da-hora). E o que esta história do sismo deixou perceber foi que, durante a madrugada, as redacções estão efectivamente a dormir, depauperadas de meios e privadas de capacidade de reacção, com um jornalista e dois operadores de câmara sonolentos e ansiosos por turno mais benigno. O que nos diz menos sobre esses jornalistas do que sobre os seus patrões, claro – mas nos diz bastante sobre os respectivos canais.

O espectador está na disposição de perdoar a falta de informação sobre uma coisa que ocorreu no outro lado do mundo, mas não sobre uma coisa de que ele próprio foi protagonista (como um sismo que ele próprio sentiu). Tem razões para isso: há quinze anos que vem alimentando fóruns e vox pop – em algum momento será a vez de as televisões fazerem o seu trabalho.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 18 de Dezembro de 2009

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
ROMANCE,
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"O Citroën Que Escrevia
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"Banda Sonora Para
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