Domingo, 8 de Novembro de 2009
publicado por JN em 8/11/09

Se os concursos de talentos com talentos estão esgotados, o que dizer dos concursos de talentos sem talentos? Pois parece ser esse o caso de Família Família, a novo aposta da RTP para as sextas-feiras à noite. Na primeira edição, pelo menos, foi assim: duas horas, dez pessoas e seis provas não revelaram um único mérito. Quando muito, houve uma adolescente que dançou sofrivelmente. Tudo o mais foi penoso: o canto e a dança, o playback e a representação. Aparentemente, já ninguém se envergonha de ir fazer tontices à TV.


De resto, parece mais do mesmo. O guião é, para já, demasiado explicadinho, como se se dirigisse às crianças – mas era a primeira edição, há-de melhorar. Sónia Araújo dá ares de apresentadora de trazer por casa, sobretudo se comparada com Catarina Furtado ou Bárbara Guimarães – mas, pronto, está a viver o seu momento mais alto, é normal que sejam precisas correcções de trajectória. Até porque, grosso modo, o que continuamos a ter é uma “gala”, não um concurso” – uma nova versão de Família Superstar, da SIC, e não uma actualização do velhinho Entre Famílias, da RTP.

E, porém, resiste o problema dos concorrentes. É preciso encará-lo: já não há mais ninguém (pelo menos com talento) para ir cantar, dançar ou representar à TV. E isto de colocar uma família de betinhos urbanos (os D’Orey, que se lê “Dórê”) em confronto com um clã rural (os Ventura, que se lê “Ventura” mesmo) pode ter graça uma vez, mas gasta-se depressa.


CRÍTICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 8 de Novembro de 2009

1 comentário:
De jorge espinha a 10 de Novembro de 2009 às 13:41
caro joel

Vossa excelência é inteligiente demais para comentar televisão. Viu o programa todo? Ui! Como custa ganhar a vida.

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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