Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
publicado por JN em 2/11/09

Tem 20 anos, foi o golfista mais jovem de sempre a chegar ao top 50 mundial – e, se ganhar este ano a Race To Dubai, será também o mais jovem de sempre a chegar ao top 10. Rory McIlroy já andava a ganhar no European Tour numa idade em que Tiger Woods ainda nem sequer era profissional. Hoje, menos de dois anos depois do início da aventura, conduz um Ferrari, viaja de helicóptero entre as ilhas britânicas e apanha um jacto privado para atravessar o mar. Esteve na semana passada no Algarve, para jogar o Portugal Masters – e, ainda antes de se afundar no 30º lugar da classificação, concedeu à J uma entrevista exclusiva em que desmistifica a ideia de ganhar 28 majors ao longo da carreira.


Foi o jogador mais jovem de sempre a chegar ao top 50 mundial. Até que ponto o obceca a ideia de ser também o mais jovem de sempre a vencer a Ordem de Mérito Europeia, agora chamada Race To Dubai?

Bom, para já coloquei-me numa boa posição para consegui-lo. Agora tenho de jogar muito bem nos torneios que falta disputar. Estou confiante que, se continuar a jogar como o tenho feito este ano, terei uma oportunidade.

Que adversários o preocupam mais?

O Lee Westwood, pelas razões óbvias. Mas também o Martin Kaymer e o Paul Casey, que em breve estarão recuperados das respectivas lesões, e ainda o Ross Fisher, com quem joguei um dia destes – e que está a bater muito bem na bola. No fundo, há vários jogadores em tão boa posição para vencer como eu.

Se ganhar, a entrada para o top 10 mundial é quase uma inevitabilidade. Era um objectivo para esta temporada?

Nunca foi uma coisa que me preocupasse muito. Por muito mal que isto soe, a verdade é que, estando no top 50, pode-se jogar qualquer torneio. Estar no top 10 é simpático, mas não muda nada. Ser número 2, número 18 (como sou agora) ou número 50 é igual.

Mas não número 1. É um número que o povoa?

Bom, é óbvio que ser número 1 do mundo é um feito extraordinário. Mas, neste ponto da minha carreira, quero sobretudo melhorar o meu jogo. Ir melhorando devagar e manter-me sempre no top 50 – é esse o meu objectivo.

Se tivesse ganho o Dunhill Links, quase tudo isso estaria resolvido. Foi uma decepção muito grande cair para o segundo lugar final?

Foi uma decepção, não posso negá-lo. Mas o Simon Dyson jogou muito, muito bem. Fez 66 na última ronda, enquanto eu teria de ter feito três pancadas abaixo do par no back nine – e não o consegui. Ele mereceu a vitória. E, para mim, não deixou de ser um bom torneio.

Tem-se debatido muito a possibilidade de mudar-se para o outro lado do Atlântico, concentrando grande parte da sua temporada no PGA Tour. Está inclinado para a mudança?

Não propriamente. Tenho pensado muito nisso, mas neste momento estarei, vá lá, 80% inclinado para continuar na Europa. Ainda não decidi por completo, até porque só tenho de comunicar a minha decisão a 1 de Dezembro. Mas tenho muito tempo para dar esse passo. Na verdade, talvez esta não seja a melhor altura.

Porquê?

Porque há Ryder Cup no próximo ano. Jogar na Europa dá-me mais hipóteses de entrar para a equipa.

Portanto, fica na Europa mesmo ganhando a Race To Dubai – é isso?

Em princípio, sim.

Mas o seu futuro é a FedEx Cup.

Não tenho a certeza, sabe? Acho que o golfe vai virar-se cada vez mais para Leste, para o Extremo-Oriente. Penso que é mais ou menos inevitável que eu me junte ao PGA Tour em alguma altura. Mas não sei se passarei lá o grosso da minha carreira.

A Race To Dubai sofreu mais com esta crise global do que a FedEx Cup. Como sente, neste momento, a atmosfera do circuito?

Bom, não sei o que pensarão os patrocinadores e os promotores. Entre os jogadores, o entusiasmo é o mesmo. Entre sete e dez milhões de prémios, a diferença é pouca. É alguma, mas a verdade é que continuamos a falar de prémios gigantescos. Quem jogar bem vai sempre ganhar muito dinheiro.

Mas também é essa a diferença entre a Europa e os Estados Unidos. “Também” é.

Certo. Mas há coisas que também dependem das pessoas e dos lugares a que devemos lealdade.

Para si, é uma questão de lealdade?

Também. O European Tour foi muito, muito bom para mim. Eu nunca mudaria para os Estados Unidos de ânimo leve, sem regressar ciclicamente para disputar aqui uns quantos torneios por ano.

Sugeriu, numa entrevista, que o seu objectivo de carreira seria ganhar 28 majors. Arrepende-se de ter dito isso?

Foi numa entrevista para o Daily Telegraph, feita pelo meu amigo Michael Vaughn. Estávamos um bocadinho no gozo e eu acabei por dizer que queria ganhar um major por ano entre os 22 e os 50 anos, o que, feitas as contas, dava 28 ou 29. Não foi uma coisa muito séria, para dizer a verdade.

Tem um número na sua cabeça?

Tenho: o número 1. Quero concentrar-me em ganhar o primeiro. Depois logo se vê.

E tem um deadline para isso?

Não.

Sentiu que o PGA Championship deste ano podia ter sido o primeiro?

Na verdade, não. Acabei em terceiro, mas andei sempre nas franjas da disputa. Nunca estive perto de ganhá-lo. Top 3, provavelmente, era mesmo o melhor que eu poderia ter conseguido fazer naquela semana.

Está a tentar baixar as expectativas, com isto tudo?

A sério que não estou. Na verdade, não me parece que alguém alguma vez consiga ganhar 28 majors. Ganhar majors é muito difícil. Veja o caso do Sergio García: é, de longe, um dos melhores jogadores do mundo – e nunca ganhou um.

Deve ser a frase mais vezes ouvida em relação a Rory McIlroy: “Oxalá ele não se torne noutro Sergio Garcia.” Incomoda-o ouvir isso?

Um pouco. O Sergio tem tido uma carreira extraordinária, apesar de nunca ter ganho um major. Conheço-o muito bem e sei que ele está contente com o que tem conseguido. De certa forma, se eu acabar a carreira sem um major mas olhar para trás e encontrar memórias assim, terá valido a pena.

A sério? Ter a carreira de Sergio Garcia, de Lee Westwood ou de Colin Montgomerie, de quem se diz serem “os melhores jogadores do mundo sem um major”, seria suficiente para si?

Sim. Quer dizer…

Vai dizer-me que não se pode colocar a questão assim.

Bom. Quer dizer…

… não seria um desastre – é isso?

É isso: não seria um desastre. Seria uma carreira bastante bem-sucedida.

E dizê-lo não é uma forma de baixar as expectativas?!

Não é. Acho que as pessoas não percebem o quão difícil é ganhar um torneio do Grand Slam… Há tanta gente a jogar bem, tanta gente a jogar cada vez melhor… Não se esqueça de que o Tiger é uma excepção.

É uma obsessão sua, chegar à dimensão de Tiger Woods?

Não. Prefiro tentar ser o melhor Rory McIlroy que puder em vez de tentar ser o próximo Tiger Woods.

Prefere ser o melhor Rory McIlroy de sempre, em vez de um Tiger Woods menos bom do que o anterior.

Precisamente! Se eu ganhar metade dos torneios que ele já ganhou, incluindo metade dos majors que ele já ganhou, já terei tido uma das melhores carreiras da história.

E terá ganho também mais de 500 milhões de dólares…

E terei ganho também mais de 500 milhões de dólares.

Qual é a importância do dinheiro para si? Quer dizer: tem um Ferrari, anda de helicóptero entre ilhas britânicas, viaja de jacto privado para a Europa continental e para os Estados Unidos – há uma estrela de Hollywood dentro de si, não há?

Bom, vamos por partes. Eu adoro carros. Sempre disse que, se um dia tivesse sucesso, quereria um Ferrari – e, quando as coisas começaram a acontecer, não demorei muito a concretizar esse sonho. Os helicópteros e os aviões são outra coisa… Eu não tenho um avião: simplesmente compro horas de jacto privado. E é apenas para tornar a minha vida um bocadinho menos difícil do que ela seria sem isso. Normalmente, às sete da noite de domingo, poucas horas depois de um torneio, já estou em casa. Não tenho de apanhar o avião comercial a meio da manhã de segunda-feira, chegando já com um dia de trabalho completamente perdido. Esse dia faz muita diferença. E vale dinheiro. Muitos outros jogadores recorrem a este sistema, não só eu. É parte das nossas despesas, é dedutível nos impostos e funciona muito bem.

Responde como se alguém se chocasse com isso. Pelo contrário: as pessoas adoram esse glamour.

Tudo bem. Mas é que eu não vejo isso como uma coisa glamourosa. Sei que tenho sorte em poder fazê-lo, mas é sobretudo uma questão prática.

Mas sente a necessidade de justificar-se. O seu pai trabalhava cem horas por semana, parte das quais a limpar retretes, para poder proporcionar-lhe esta oportunidade – é isso que o constrange?

Talvez seja. Mas uma coisa é certa: uma das minhas maiores ambições foi sempre poder um dia tomar os meus pais ao meu cuidado, como eles fizeram comigo durante todos os anos. E hoje em dia, sempre que posso, levo-os para onde vou. E eles adoram vir comigo. Ainda no outro dia o meu pai acompanhou-me no Dunhill…

Vai comprar uma casa no Dubai – planeia levá-los para lá?

Já comprei. Não vou mudar-me. Nem eles. É um investimento.

Ser uma super-estrela aos 20 anos não o distrai de forma nenhuma?

Acho que não.

Nem sequer por causa das raparigas?

(risos) Bom… Não. Isto é o meu trabalho. Simplesmente não posso deixar-me distrair. É claro que, quando estou em casa, tenho divertir-me. Mas cada coisa a seu tempo.

Mas há tentações, não? Quer dizer: ter blogs de fãs dedicados a nós, escritos totalmente por raparigas – quem pode gabar-se disso?

Tem as suas tentações, claro. Não só por causa das raparigas. Mesmo os sítios onde dormimos, as piscinas, os restaurantes, os bares – há tentações de excessos por todos os lados. Mas quem não sabe resistir-lhes não tem grande futuro.

É por causa das raparigas que não corta o cabelo, não é? Elas gostam desse ar selvagem.

(risos) Eu cortei um bocadinho. Vê?

O que é que aconteceu? Chatearam-no? A PGA deu-lhe finalmente o ralhete que estava a preparar há tanto tempo?

Não. Estava simplesmente grande de mais para o Verão. Ninguém da PGA alguma vez fez qualquer comentário.

A PGA tem discutido a possibilidade de apertar as regras para a indumentária e o aspecto global dos jogadores…

Pois aí está mais uma boa razão para não ser membro do PGA Tour! (risos)

Li o seu tweet sobre a dificuldade no putting. O que se passa?

Não tenho estado bem. Perdi muita confiança nos primeiros dois dias no Victoria, pois os greens não estavam tão bons como nos anos anteriores. E, quando se perde a confiança, é complicado. Mas tudo se resolve.

Até que ponto as redes sociais são importantes para si?

Gosto do Twitter. Não o uso tão bem como o Ian Poulter, que tem mais de 600 mil seguidores (eu tenho só 14 mil), mas é importante para a minha comunicação com os adeptos. É giro interagir com eles.

É o próprio Rory quem escreve?

Claro. E é engraçado receber depois centenas de respostas com sugestões.

Alguma útil?

Bom, há quem diga “Experimenta assim” ou “Experimenta assado”… Uns quantos até sugerem que bata os putts com o driver ou o ferro 3. Mas a maioria diz o mais comum: “Concentra-te”, “Confia em ti próprio” – essas coisas.

O ano de 2008 foi muito importante para os jogadores de vinte a tal anos: Anthony Kim, Adam Scott, Andres Romero, Sergio García… Já 2009 foi bom sobretudo para os adolescentes: Ryo Ishikawa, Danny Lee e, claro, Rory McIlroy. Que mudança de paradigma é esta?

Não se esqueça do Byeong-Hun An, que é chinês, e do Matteo Manassero, que é italiano – e que se tornaram nos mais jovens vencedores de sempre do US Amateur e do British Amateur Championship, respectivamente. Penso que a questão da idade é uma coincidência. Mas não a da proveniência. Na lista de que estamos a falar, há europeus, asiáticos e oceânicos, mas nenhum americano. Por isso digo que o golfe está a virar a Leste.

Há quem especule que a grande rivalidade do futuro será entre Rory McIlroy e Ryo Ishikawa. O que acha disso?

Seria muito interessante.

Dão-se bem?

Muito bem. E com o Matteo e o Danny também me dou muito bem.

E com Anthony Kim?

Melhor ainda. Na verdade, é um dos meus melhores amigos nos vários circuitos. Estou ansioso para a vinda dele para o Volvo World Match Play Championship. Já não o vejo desde o PGA Championship e tenho saudades dele. É uma pessoa formidável.

E com Tiger? Tem o número dele?

Não, não tenho. O Tiger é diferente. Fica na dele. É muito reservado. Já disse muitas coisas simpáticas sobre mim, mas nunca nos sentámos a ter uma conversa decente. Um minutinho aqui, um minutinho ali – e foi tudo.

Espera defrontá-lo na Ryder Cup?

Para já, espero entrar na equipa, coisa que não consigo se continuar a bater os putts assim… (risos)

Por esta altura, já era preciso uma catástrofe para o Rory não entrar. Que esperanças devem cultivar os adeptos europeus, depois da derrota do ano passado em Valhalla?

Acho que vai ser uma equipa curiosa, com uma metade de jogadores experimentados (o Harrington, o Sergio, o Westwood, o Stenson…) e outra de jovens cheios de vontade (eu, espero, e ainda o Kaymer, o Alvaro, talvez o Ross ou o Dyson…). Penso que pode ser uma equipa fortíssima.

E os Jogos Olímpicos – que expectativas tem de participar?

Bom, eu acho que é maravilhoso para o golfe poder entrar. Torna-o um jogo mais global e mais acessível. Mas não é, nesta altura, uma obsessão para mim. Para já, os majors são mais importantes. Mas penso que a ideia vai crescer dentro de mim.

Não gosta de ser politicamente correcto, já percebi.

Não gosto. Mas a verdade é mesmo essa: por enquanto, não estou super-excitado. Daqui a sete anos se verá.

O Eire e o Ulster…

O Eire e a Irlanda do Norte…

Certo, peço desculpa: o Eire e a Irlanda do Norte estão juntos no golfe, como uma só selecção nacional. Que importância tem esta reunião como declaração política?

Digamos que é um tema quente. E, para mim, ainda mais: sempre me senti britânico, mais do que norte-irlandês – e agora não sei por quem hei-de jogar os Jogos Olímpicos, se se proporcionar.

Neste momento, escolheria a Irlanda?

Não sei. Eu diria que sou britânico.

Escolheria o Reino Unido.

Não sei. Em 2016 veremos. Vai ser uma grande questão para mim, nos próximos anos.

Portugal é pré-candidato à Ryder Cup 2018. O que acha do projecto?

Acho magnífico. Primeiro, porque acho que a Ryder Cup devia realizar-se mais vezes na Europa continental. Valderrama 1997 provou como ela pode ser um sucesso deste lado do Canal. Depois, Portugal é um país extraordinário, com uma meteorologia magnífica, excelentes hotéis, belos campos e um número de adeptos todos os anos maior, pelo que me apercebo. Desejo-vos muita sorte. Seria bom para vós e bom para a Ryder Cup.

Dos campos que conhece, qual escolheria?

Conheço poucos: aqui o Victoria, o Amendoeira, o Vila Sol, o Laranjal – pouco mais. Mas tenho a certeza de que haverá um campo suficientemente bom. Se o Belfry pode receber a Ryder Cup, Portugal terá seguramente vários candidatos à altura.

Última questão: é um fã do Manchester United. Como viu a saída de Cristiano Ronaldo?

Nós já sabíamos que ele sairia, mais cedo ou mais tarde. Sempre quis jogar no Real Madrid – e não podia rejeitar mais, até pelo dinheiro envolvido. Foi uma grande perda para nós. Qualquer equipa lamentaria a sua perda. Vamos a ver como é que ele volta agora, depois da lesão no tornozelo…

Nunca o encontrou?

Nunca.

Mas gostava? Tem tantos fãs – também tem de ser fã de alguém, não?

E sou. Do Ronaldo, por exemplo. Ele vem da Madeira, uma pequena ilha, e aprendeu a dominar o star system como ninguém. É um modelo para todos nós, desportistas.


ENTREVISTA. J, 1 de NOVEMBRO de 2009

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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