Terça-feira, 27 de Outubro de 2009
publicado por JN em 27/10/09

É sempre assim: instala-se a recessão económica e as pessoas passam de imediato a ver mais televisão, um entretenimento barato e exercido no conforto do lar, essa fortaleza a que nunca falta pelo menos alguma capacidade para blindar-nos do inimigo lá fora. Ainda esta semana Roma Khanna, presidente da Universal Networks International, uma das referências mundiais no mercado da TV por subscrição, o dizia, regozijando-se com a subida do número de clientes: “Perante o aumento do custo de vida, a opção pelo entretenimento em casa, com a família e os amigos, tornou-se mais atraente.”


Daí que não seja fácil entender a entrevistada dada aqui há uns dias, ao Correio da Manhã, por Manoel Carlos, autor da telenovela da SIC Viver a Vida. Dizia ele, em tom pesaroso: “Hoje, com a Internet, já ninguém sai de casa.” Ora, eu pergunto-me se, aos 76 anos, e depois de mais de 30 a escrever telenovelas, Manoel Carlos ainda não percebeu o segredo do sucesso do seu negócio. Quanto mais gente pobre (ou com medo da pobreza) existir, mais gente estará a ver televisão – e, quanto mais gente pobre estiver a ver televisão, mais gente haverá para prender durante horas ao ecrã, ao longo das intermináveis maratonas de telenovelas em que as estações comerciais portuguesas e brasileiras baseiam o seu primetime.

Felizmente, o futuro não passa por aqui. Mas, enquanto durar o presente, talvez não ficasse mal pelo menos algum decoro.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 27 de Outubro de 2009

2 comentários:
De Belinha a 30 de Outubro de 2009 às 19:48
Talvez o Joel queira ler isto,é sobre o Afghan Star,o filme passou ontem na 2 (http://palavras-cruzadas.blogspot.com/2009/10/afghan-star-im-voting-for-her-courage.html)
De belinha a 30 de Outubro de 2009 às 20:04
O Joel não quererá escrever sobre isto?É da sua área, não sei se não haverá por aí um link para poder ver o filme á socapa!!Fiquei mesmo emocionada com o documentário.Ele não é uma peça muito artística em termos realização mas é preciso ver em que circunstâncias e onde é filmado.Mas o que representa é poderoso sobretudo quando pensamos nos Idolos do oeste!
Também já conhece www.theauteurs.com?Espreite!Eu costumo meter lá na Wall do FB mas cada vez mais acho que aquilo é um grande palheiro!!!

Comentar post

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
pesquisar neste blog
 
arquivos
livros de ficção

"Os Sítios Sem Resposta",
ROMANCE,
Porto Editora,
2012
Saber mais


"O Citroën Que Escrevia
Novelas Mexicanas",
CONTOS,
Editorial Presença,
2002
Saber mais
Comprar aqui


"O Terceiro Servo"
ROMANCE,
Editorial Presença,
2002
Saber mais
Comprar aqui
outros livros

Bíblia do Golfe
DIVULGAÇÃO,
Prime Books
2011
Saber mais
Comprar aqui


"Banda Sonora Para
Um Regresso a Casa
CRÓNICAS,
Porto Editora,
2011
Saber mais
Comprar aqui


"Crónica de Ouro
do Futebol Português",
OBRA COLECTIVA,
Círculo de Leitores,
2008
Saber mais
Comprar aqui


"Todos Nascemos Benfiquistas
(Mas Depois Alguns Crescem)",
CRÓNICAS,
Esfera dos Livros,
2007
Saber mais
Comprar aqui


"José Mourinho, O Vencedor",
BIOGRAFIA,
Publicações Dom Quixote,
2004
Saber mais
Comprar aqui


"Al-Jazeera, Meu Amor",
CRÓNICAS,
Editorial Prefácio
2003
Saber mais
Comprar aqui