Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
publicado por JN em 21/10/09

A reacção de José Aberto Carvalho a qualquer tipo de sugestão de que a RTP é manipulada pelo poder tem muito de tranquilizador. Basta perceber uma simples suspeita que o director de informação da estação pública, como o próprio provou mais uma vez durante a conferência realizada no auditório da Fundação das Comunicações para a comemoração dos 50 anos do Telejornal, arregaça as mangas, endurece a voz e dispara sobre o desconfiado. “Hoje o director de uma estação de televisão não pode ser pressionado pelo poder político”, garante – e, ao assistir à energia da sua reacção, todos nós ficamos a saber que, sempre que se verificar uma manobra de pressão, ele fará todos os possíveis para resistir a ela.


Mas eu ficaria ainda mais descansado se ouvisse José Alberto Carvalho acrescentar as palavras: “apesar das muitas tentativas que o poder faz todos os dias.” Porque o faz. Porque sempre o fez. E porque sempre o fará enquanto houver televisão pública – esteja quem estiver à frente da informação da RTP, esteja quem estiver no poder. Mais do que (ou para além de) ser da própria natureza do homem, isso é da própria natureza do serviço público. Seria especialmente tranquilizador se o director de informação dos canais públicos, mesmo sem denunciar os seus autores (hoje virão todos do mesmo quadrante, mas noutras alturas vieram e virão de outros), reconhecesse a existência de pressões. E apenas podemos desejar que ele ao menos as reconheça para si próprio.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 21 de Outubro de 2009

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
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"Banda Sonora Para
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