Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
publicado por JN em 19/10/09

Quem estava ao fim da tarde de ontem no green do buraco 17, na linha da frente do corredor que foi preciso improvisar para Lee Westwood bater o shot do torneio, só podia ficar com a impressão de que este III Portugal Masters fora um sucesso. E o facto é que o foi mesmo. Ao melhor field de sempre correspondeu a melhor assistência da história. À brilhante competitividade entre os da frente correspondeu ampla cobertura nos media nacionais e internacionais. E à grande vitória de um dos jogadores que mais prestígio davam ao torneio que ganhassem (Lee Westwood, uma referência do golfe mundial, ainda por cima inglês) há-de corresponder agora, de certeza absoluta, um drástico aumento da notoriedade do Masters português entre os adeptos de golfe de todo o mundo.


E, no entanto, foi Frederico Costa, vice-presidente do Turismo de Portugal, a entregar o troféu. Ao contrário dos dois primeiros anos, em que fora o próprio ministro da Economia (Manuel Pinho) a abrilhantar o momento, nem um só membro do Governo dispôs este ano de suficiente disponibilidade (ou agilidade) de agenda para deslocar-se ao Algarve. Por um lado, é preciso compreendê-lo: depois de um ciclo eleitoral longo de mais, Portugal está, na prática, sem Executivo. Por outro, é importante deixá-lo claro: o golfe nacional, definido até 2015 como um produto estratégico para o sector do turismo (ele próprio uma área estratégica para a economia nacional), vive um momento de charneira, com desafios que exigem um envolvimento institucional claro da parte das diferentes tutelas do sector.

Um desses desafios é a prometida candidatura à organização da Ryder Cup 2018, projecto da Federação Portuguesa de Golfe que poderá representar, a médio prazo, um importante catalisador para a indústria de golfe nacional (e não só). Portugal é igualmente pré-candidato à recepção do Campeonato do Mundo de futebol desse mesmo ano – e, sendo a sobreposição geográfica e temporal das duas provas impossível, de acordo com os critérios da Ryder Cup, o Governo tem desde já, e com urgência, uma tarefa a desempenhar: a concertação entre as federações das duas modalidades, seja para a apresentação de duas candidaturas simultâneas (embora autónomas), seja para a desistência de uma em benefício da outra. Os prazos começam a apertar – e, neste momento, nem sequer é urgente saber quem serão os ministros e os secretários de Estado: já começa a ser urgente que estejam todos no exercício pleno das suas novas (ou velhas) funções.


ESPECIAL III PORTUGAL MASTERS. O Jogo, 19 de Outubro de 2009

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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