Sábado, 17 de Outubro de 2009
publicado por JN em 17/10/09

Maitê Proença é tonta? Admito que sim. Nunca sequer li um livro dela – não posso ajuizá-lo com grande acuidade. Mas, de facto, o vídeo que ela fez para o programa Saia Justa, do GNT, parece indiciá-lo: é um pouco tonta – ou talvez, quem sabe, bonita de mais para o seu próprio bem.


Foi apenas isso, porém, que Maitê fez: dizer umas tontices, de resto de maneira assumidamente histriónica. Daí até nos sentirmos ofendidos no orgulho pátrio, ao ponto de iniciarmos subscrições na Internet ou exigirmos via TV (com a chancela dos pivôs) um pedido de desculpas formal à grande nação lusa, vai uma enorme diferença.

Essa diferença nem sequer se chama “sentido de humor”: chama-se “grandeza”. Foi isso que nós denunciámos em nós próprios, ao longo desta semana: falta de grandeza. No fim, fomos tão tontos como ela. Mais tontos ainda, aliás, pois sujeitámo-nos a que uma provável tonta pudesse dizer, lá do alto: “Estes portugueses não têm o mínimo de auto-ironia.”

Digo “nós” porque foi assim que a história ficou no Brasil: “os portugueses” ficaram zangados. Na verdade, quero deixar aqui claro que não estou zangado coisa nenhuma: simplesmente não consigo sequer sorrir com piadinhas tão primárias e sem criatividade como as de Maitê.

O resto seria justiceirismo parvo. “Os portugueses”, aparentemente, andam numa sede imensa dele. Os jornalistas, claro, também. Eu bem avisei que o fim do ciclo eleitoral ia ser uma orfandade.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 17 de Outubro de 2009

1 comentário:
De belinha fernandes a 22 de Outubro de 2009 às 18:32
Joel,desculpe lá discordar,mas muitíssimos brasileiros sentiram-se envergonhados e humilhados na proporção em que nos sentimos ofendidos ou zangados.Muitos disseram-me,aliás, que no Brasil Maité não goza de grande consideração geral.Eu acho que nós até temos aceitado todas as piadas e mais alguma.Não sei até onde é que foram os desejos de pedidos de desculpa pois eu vi o video,escrevi um post como diz,justiceiro,e desliguei do assunto.Mas Tv e actriz acho que os deviam ter apresentado.Aquela cuspidela não tem nada a ver com a nossa capacidade para ter auto- ironia.Uma coisa é o aproveitamento jornalístico já habitual,outra coisa é o aproveitamento das redes para desencadear reações contestações até um pouco ridículas, mas uma reacção negativa eu entendo-a razoável e desejável...Caricaturar ou ironizar é inteligente,desrespeitar é outra coisa diferente.Ela não sabe respeitar,logo não vai sequer conseguir fazer humor.

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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