Terça-feira, 15 de Setembro de 2009
publicado por JN em 15/9/09

Marcelo Rebelo de Sousa tem defeitos. Às vezes, usa o programa (As Escolhas de Marcelo, RTP1, domingos à noite) para ajustar contas pessoais. Outras, esquece-se dos erros e dos fracassos que marcaram a sua própria passagem pela presidência do PSD. Outras ainda, deixa que a sua agenda política pessoal (a candidatura à Presidência da República em 2016) nos prive de uma opinião franca e aberta.


Mas Marcelo Rebelo de Sousa é também um fenómeno único na nossa TV – e um fenómeno com virtudes que vão muito para além da simples lógica partidária. Um exemplo? A preclaridade com que este domingo nos explicou o quão empatadas, apesar de tudo, estão as eleições. “Fiz as contas. Portugal tem 9.480.690 eleitores. Se votarem 65%, e tendo em conta que a vantagem média conseguida pelo PS nas sondagens é de 3%, o problema está em 183 mil pessoas”, começou. “Portanto, 90 mil pessoas, mudando para um lado ou para o outro, farão a diferença. São menos de dois estádios de Alvalade ou do Dragão. É um Estádio da Luz e mais um bocadinho.”

Não temos mais disto – e seria de alguma forma trágico se, entretanto, o programa fosse efectivamente colocado está em risco. De resto, Marcelo não parece apostado em influenciar muito mais estas Legislativas: no regresso de férias, sublinhou uma declaração de interesses, foi imparcial na avaliação dos debates e aceitou com (aparente) bonomia o facto de o futebol reduzir a 10 minutos todos os seus programas antes de dia 27.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 15 de Setembro de 2009

1 comentário:
De Zé da Burra o Alentejano a 16 de Setembro de 2009 às 09:36
Com estatísticas e sondagens adivinha-se o futuro?

As sondagens dão uma indicação de voto aos eleitores quando anunciam previamente as percentagens de voto previstas para quem deverá ficar em 1º, 2º, 3º ou 4º lugares, o que influencia o resultado da votação, sempre no sentido das sondagens, pois uma boa parte do eleitorado acaba por ser induzido a escolher apenas de entre os partidos que são apontados nas sondagens como ficando em 1º ou 2º lugares. Trata-se de uma tendência desportiva, onde ou se ganha ou se perde. Só por isso as sondagens deveriam ser proibidas e são-no em alguns países. Além disso, estão a tornar-se suspeitas de serem mal feitas ou pouco sérias porque se enganam sistematicamente a favor dos grandes partidos. No final, apesar de tudo, os pequenos partidos acabam por ter sempre mais votantes do que os indicados nas sondagens.

Na política não é como no desporto, pois quem fica em 2º, 3º ou 4º lugares também acaba por influenciar o poder. Apenas não têm qualquer influência a abstenção, os votos brancos ou os dados a partidos que não chegam a eleger representantes para a assembleia. Também é muito diferente ganhar com maioria absoluta ou relativa, pois se a maioria for relativa o partido ganhador terá que procurar fazer uma coligação ou governar sem ela e na dependência do voto parlamentar. Em qualquer dos casos há que ter em conta outras políticas e outras sensibilidades. Por vezes é essa a única solução e é a democracia que fica a ganhar nestes casos.

Os grandes partidos são alvos de cobiça de interesses particulares que os apoiam esperando receber compensações em retorno quando aqueles forem poder e mais fácil será o retorno se tiverem uma maioria absoluta, por isso um povo politicamente esclarecido deve fugir sempre de dar maiorias absolutas a quem quer que seja, embora todos os partidos as peçam.
Os 2 super partidos contam já com a vitória de um deles. Vamos mudar isso e votar nos pequenos partidos, nos que têm expressão eleitoral ou estão à beira de eleger o seu 1º deputado. Ganham a democracia, a justiça e a valorização da Assembleia da República (para onde vamos votar) e perdem a arrogância e a corrupção.

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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