Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
publicado por JN em 14/9/09

Sócrates ganhou o debate de sábado – e a melhor prova disso é que ontem, passadas menos de 24 horas sobre o recontro do ano, já não se discutia outra coisa senão a possibilidade de o primeiro-ministro efectivamente ter dito que mudaria os ministros todos em caso de recondução no cargo. Feitas as contas, Manuela Ferreira Leite não percebeu o que estava em causa. Quis discutir onde era suposto jogar, tentou jogar onde lhe cabia discutir – e, embora até nem tenha entrado mal, acabou goleada.


Bem vistas as coisas, quase todos os debates foram este ano assim. Nalguns dançou-se o tango: dois amantes fingindo uma desventura, mas deixando espaço para (no caso de vir a ser útil e possível) um entendimento final. Noutros dançou-se a valsa: o elegante encontro de dois estranhos que de repente se descobrem embalados pelo mesmo ritmo, mas nem por isso querem abdicar da hipótese de cancelar esse compromisso no exacto momento em que lhes aprouver. No essencial, porém, dançou-se sempre.

Por um lado, ainda bem. Tendo em conta os primeiros estudos, e ao contrário do que tantas vezes acontece, é bem provável que os debates de facto tenham, desta vez, ajudado a decidir uns quantos indecisos. Não se perdeu tudo, afinal. Assim como assim, num ano como este, umas eleições substantivas, feitas de temas e de estratégias, seriam sempre uma miragem. Chamam-lhe “crise” – e é mesmo isso que devemos chamar-lhe, haja ou não questões económicas envolvidas.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 14 de Setembro de 2009

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
ROMANCE,
Porto Editora,
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"O Citroën Que Escrevia
Novelas Mexicanas",
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"O Terceiro Servo"
ROMANCE,
Editorial Presença,
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Bíblia do Golfe
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"Banda Sonora Para
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CRÓNICAS,
Porto Editora,
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"Todos Nascemos Benfiquistas
(Mas Depois Alguns Crescem)",
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"José Mourinho, O Vencedor",
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2003
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