Domingo, 13 de Setembro de 2009
publicado por JN em 13/9/09

Em Portugal, procurámos empenhadamente alguma coisa na conversa de circunstância entre Sócrates e Louça com que os pudéssemos incriminar a ambos (de preferência a Sócrates). Felizmente para eles, ninguém revelava nada de especial – a não ser uma cumplicidade e um ascendente (“Seu maroto”?) do primeiro sobre o segundo que, de certeza absoluta, nos deixam a todos menos tranquilos quanto à vitalidade da tensão democrática.


Nos EUA, uma câmara colocada do outro lado do hemiciclo, mas ligada a um microfone próximo dos dois circunstantes, apanhou o deputado estadual da Califórnia Mike Duvall a gabar-se a um colega das suas proezas sexuais com as jovens lobistas presentes em Sacramento. Mike Duvall foi destituído. Em França, o ministro do Interior Brice Hortefeux foi apanhado por uma terceira câmara fortuita (embora esta menos dissimulada) a dizer uma piadola fácil sobre os árabes. Ontem, o seu futuro político parecia em risco.

As três situações são diferentes, mas radicam todas num mesmo modus operandi: a utilização sub-reptícia de uma câmara para “apanhar” um político em falso, “desmascarando-o” como o “corrupto” que ele é (como “todos eles” são). Este justiceirismo é perigoso e começou com recurso ao YouTube. Agora, porém, já são os próprios órgãos de comunicação social (televisões, rádios, jornais) a divulgá-los. E o mais provável é que tenha chegado a hora em que devemos começar todos a ficar muito preocupados com isto.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 13 de Setembro de 2009

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
ROMANCE,
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"O Citroën Que Escrevia
Novelas Mexicanas",
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"O Terceiro Servo"
ROMANCE,
Editorial Presença,
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Bíblia do Golfe
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"Banda Sonora Para
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"Todos Nascemos Benfiquistas
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2003
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