Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
publicado por JN em 11/9/09

Não era preciso Júlio Magalhães ter anunciado que se havia aconselhado com a família: toda a gente sabia, desde o início, que ele queria chegar a director de informação da TVI. Já quando se falou na necessidade de chamar a Queluz os principais nomes da estação após o escândalo Moura Guedes, ele foi um dos poucos (se não o único) a admitir essa hipótese. E, se em Portugal essa assumida vontade de progredir na carreira é mal vista, é Portugal que está errado. Ainda bem que Júlio estava interessado, que está entusiasmado e que se sente preparado.


Se efectivamente estará preparado, é outra coisa. Porque Júlio Magalhães, tal como o descrevem os amigos à imprensa, é um homem de bom feitio, conciliador e incapaz de dizer não. Ora, esse parece ser exactamente o perfil oposto àquele de que a TVI precisa agora. Perante uma redacção aos tiros, a TVI provavelmente nem sequer precisava de um jornalista: precisava de um talhante. Quem conhece as redacções sabe-o bem: nomear alguém notoriamente capaz de cortar cabeças, às vezes, é a melhor forma de evitar ter de cortá-las. E Júlio, que é sobretudo um bom jornalista, vai precisar de esforçar-se muito por conseguir forjar essa imagem.

Entretanto, aliás, continua por esclarecer em definitivo o tipo de estrutura a implantar em Queluz. Dois directores com um director geral por cima? Dois directores e um deles mandando no outro? Ou dois directores apenas – e com iguais poderes? Talvez “Juca” devesse ter esperado para ver.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 11 de Setembro de 2009

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
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"Banda Sonora Para
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