Domingo, 15 de Agosto de 2010
publicado por JN em 15/8/10

Ao pé daquilo em que a reality TV se transformou entretanto, a primeira edição de Big Brother era uma brincadeira de crianças. Como muito bem explicava ontem Marta Cardoso numa entrevista ao Correio da Manhã, nem ela, nem Zé Maria, nem Marco, nem Susana, nem Célia, nem Telmo – todos aqueles que, no fundo, se tornaram objecto ao mesmo tempo do nosso voyeurismo, da nossa ternura e até da nossa vergonha – tinham, no momento em que entraram para “a casa” (faz agora dez anos), a mínima ideia daquilo ao que iam.

Sabiam que as câmaras estavam presentes, sim. Imaginavam que, lá em casa, pelo menos algumas pessoas seguiriam as suas tontices. Mas não podiam supor que o programa houvesse entretanto tomado de assalto a actualidade – e, quando se punham aos abraços ou aos pontapés, aos beijos ou aos coitos silenciosos sob os edredões, faziam-no porque as suas emoções os impeliam a isso, não porque percebessem o alcance (e sobretudo as vantagens estratégicas) desses gestos.

Recuperar o Big Brother, por esta altura, tem seguramente alguma coisa de vintage. Para o bem e para o mal (sobretudo para o mal), aquele foi, provavelmente, o mais importante programa da televisão nos últimos vinte ou trinta anos – uma revolução que mudou quase tudo e que ainda hoje produz significativos efeitos. Mas recuperá-lo com novas personagens, sobretudo sabendo essas personagens o que puderam perceber entretanto, será como ouvir música dos anos 80 feita nos dias de hoje.

Soará a falso, o novo Big Brother da TVI (e chame-se ele Big Brother, Secret Story ou o que seja). Como objecto de estudo sociológico, valerá pouco mais do que zero. E, ao mesmo tempo, será muito mais inofensivo.

CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 15 de Agosto de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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