Quinta-feira, 17 de Junho de 2010
publicado por JN em 17/6/10


Da maneira como estão as coisas entre a televisão, o futebol e os espectadores, os programas de debate entre adeptos notórios dos três clubes grandes (vulgo “debate de painelistas”) são a única coisa capaz de impedir-nos de mergulhar na esquizofrenia total. É tanto o “4-3-3”, tanta a “basculação” e tanta a “posição 6” que, não havendo alguém que nos recorde que o futebol é sobretudo uma brincadeira, ainda acabamos todos doutorados em pontapé na bola.


Assistir a O Dia Seguinte (SIC Notícias), tanto quanto às intervenções suplementares dos seus três comentadores sobre este Mundial, já é outra coisa. Porque o mínimo que se podia esperar era que José Guilherme Aguiar, Dias Ferreira e Sílvio Cervan vissem os jogos, soubessem os resultados ou tivessem ao menos uma ideia de como vai o Campeonato do Mundo. E o facto é que viram pouco, não sabem bem e, quanto à dita ideia, é no mínimo demasiado geral.


Ter alguma coisa para dizer, no contexto de uma tal impreparação, é naturalmente impossível. E, porém, conseguem fazer-se programas longuíssimos, incluindo debates supostamente pormenorizados em torno de tudo o que se passa na África do Sul, sem ter nada para dizer. Ou, então, reduzindo a discussão àquilo que já toda a gente repete na rua porque, entretanto, ouviu os narradores das televisões, conferiu os comentadores da rádio e visitou os sites dos jornais.



Se O Dia Seguinte goza ainda de algum sucesso, é em resultados dos clubismos primários (que são os únicos que fazem sentido, diga-se). A verdade é que, mesmo sobre os jogos de FC Porto, Sporting e Benfica, porém, os três comentadores da SIC Notícias já acrescentam pouco. Quanto ao Mundial, é um deserto.


CRÍTICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 17 de Junho de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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