Domingo, 13 de Junho de 2010
publicado por JN em 13/6/10



Há algo de profundamente desconcertante nos comentários de Luís Gonçalves da Silva sobre o arquivamento, pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social, da queixa apresentada por Mário Crespo contra o Jornal de Notícias. Considera o membro do Conselho Regulador que é “abusivo” (sic) o arquivamento ser noticiado como unânime, uma vez que ele próprio, apesar de não ter comparecido à reunião em que a decisão foi tomada, é contra ela.


Pois eu não vejo melhor razão para ter-se empenhado em ir à reunião – ou então para, caso a ausência fosse verdadeiramente inevitável, ter ao menos enviado uma mensagem aos restantes conselheiros, vincando a sua posição. De cavaleiros andantes incapazes de se chegarem à frente na hora certa, estamos todos cansados. E pior ainda andaria o país se, de cada vez que fosse necessário tomar uma decisão a sério, se tivesse de esperar que todos os nossos servidores públicos estivessem sentados no seu devido lugar. Como é que funcionava o Parlamento, por exemplo?


Não menos desconcertante, aliás, é a estranheza de Mário Crespo  perante o facto de nenhum outro jornal o ter entretanto convidado para escrever crónicas, finda a sua colaboração com o Jornal de Notícias. E mais desconcertante ainda é o argumento de que a sua coluna era interessante porque era “controversa”. Se tem alguma relevância a decisão da Entidade Reguladora para a Comunicação Social sobre a queixa de “censura” que Mário Crespo apresentou, então o estardalhaço que ele fez foi uma deslealdade para com a direcção do JN. Ora, não pode surpreender ninguém que mais nenhum jornal esteja ansioso por ter um colaborador desleal. Eu, se fosse director de um, não estaria.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 13 de Junho de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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