Quarta-feira, 28 de Abril de 2010
publicado por JN em 28/4/10



A primeira edição de A Última Ceia (SIC Radical, quartas-feiras à noite) teve coisas boas e coisas más. O início foi em formato stand up comedy, modelo que, como já aqui disse, começa a cansar. O sketch com o dentista revelou-se pobre – e a recta final do programa, com as punchlines que haviam sido rejeitadas, é uma experiência a não repetir. Já o arranque, com Rui Unas a ser caçado na floresta, foi brilhante. As entrevistas correram muito bem. E, sobretudo, o programa foi decorrendo em crescendo, tornando-se mais interessante, mais cómico e mais confortável com o tempo – e isso só acontece quando, conferidas as limitações do guião, o anfitrião chama a si o domínio dos acontecimentos, revelando-se depois suficientemente competente para assegurar o interesse.


Não me canso de dizê-lo: Unas podia ser o nosso grande apresentador de talkshows de primetime dos canais abertos – aquilo a que os americanos chamam um national television host. Porque, não sendo genial em nada, é, em Portugal, o profissional de televisão que em mais coisas diferentes se mostra “bastante bom”. Arrisca no humor, mas nunca se esquece do lugar onde está. Deixa brilhar os convidados, mas nunca perde a mão nas entrevistas. É culto, mas nunca deixa de maravilhar-se com uma descoberta com a qual os telespectadores devem maravilhar-se também. Questão de sensibilidade, claro: é da Margem Sul e filho de uma senhora que lê a revista Maria – conhece bem o povo e comunica bem com ele. E muito agradável seria, por esta altura, reencontrar na nossa national television alguém que estivesse lá para mais alguma coisa do que apenas para ser adorado.


CRÍTICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 28 de Abril de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
ROMANCE,
Porto Editora,
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"O Citroën Que Escrevia
Novelas Mexicanas",
CONTOS,
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"O Terceiro Servo"
ROMANCE,
Editorial Presença,
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Bíblia do Golfe
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"Banda Sonora Para
Um Regresso a Casa
CRÓNICAS,
Porto Editora,
2011
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"Todos Nascemos Benfiquistas
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"José Mourinho, O Vencedor",
BIOGRAFIA,
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2004
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"Al-Jazeera, Meu Amor",
CRÓNICAS,
Editorial Prefácio
2003
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