Sábado, 10 de Abril de 2010
publicado por JN em 10/4/10



Para centenas de milhões de espectadores ao redor do globo, está desde já encontrada a decepção do ano: afinal, ninguém viu em directo o primeiro buraco de Tiger Woods no The Masters, primeiro torneio do número 1 do ranking mundial de golfe após a reclusão de cinco meses a que o próprio se votou na sequência do escândalo sexual em que se envolveu. Na hora da verdade, a organização do Augusta National, a quem cabe a produção das imagens, não conseguiu injectar o sinal no satélite, frustrando o acordo firmado com estações do mundo inteiro (incluindo, em Portugal, SportTV Golfe).


E, porém, a própria intenção tem significado. Porque, a não ser talvez Barack Obama, não há hoje outro homem capaz de mobilizar esta expectativa. Era tal a euforia dos adeptos do golfe que, com o chamado world feed circunscrito às habituais três horas e meia de directo, a organização do primeiro major de 2010 programou uma emissão prévia de alguns minutos só para acompanhar, em jeito de edição especial global, o primeiro buraco de Tiger. E, isso, nem Michael Jordan nem Michael Schumacher conseguiram quando voltaram às respectivas modalidades.


Filho de um afro-americano e de uma tailandesa, Woods é, na verdade, a verdadeira antecâmara de Obama. Provavelmente o melhor jogador de uma modalidade com 250 anos de história, impôs o respeito das elites pelas minorias étnicas – e, quando está ausente, leva as audiências do PGA Tour a baixar 40 por cento. Esta quinta-feira, e após cinco meses sem uma ronda competitiva, simplesmente desfez o campo de Augusta, com um -4 que o colocou de imediato na órbita da liderança. É um privilégio ser seu contemporâneo – ainda por cima na era da TV.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 10 de Abril de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
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