Quinta-feira, 25 de Março de 2010
publicado por JN em 25/3/10

 



Quanto aos trabalhos da Comissão de Ética e à sua cobertura em directo, pois acho o mesmo que achará qualquer pessoa atenta ao fenómeno mediático: que em muitos casos os deputados se comportaram como alunos excitadinhos e mal preparados em dia de visita de um famoso à escola – e que, ao permitir-se este modelo de audições ao vivo, a Assembleia da República não fez outra coisa senão condescender com a montagem de um circo que não só deixou a nu a fragilidade dos nossos representantes, como permitiu o reforço do protagonismo de alguns dos jornalistas mais conspícuos da praça. No fim, aquilo para que tudo isto serviu foi para os canais noticiosos se colocarem por umas quantas semanas no centro da actualidade. Bem fizeram eles em aproveitá-lo. E bem merece o Parlamento que o tenham aproveitado.


 


De resto, é deprimente assistir ao autismo dos deputados da esquerda parlamentar perante a marcha do mundo (e, aliás, perante o actual momento da economia mundial). Ainda na terça-feira as perguntas colocadas aos inquiridos raramente visavam a tentativa de perceber se efectivamente existe ingerência governamental nos media, mas antes se o capitalismo, com a sua tendência para a formação de grupos económicos (e para a criação de sinergias entre as empresas desses grupos), se socorre da precaridade laboral para, no fundo, limitar essa liberdade. Curioso. Porque, se há uma coisa de que extrema-esquerda nunca poderá reclamar-se zeladora, é a liberdade de expressão. E porque tanto o PCP como o BE são eles próprios partidos puramente capitalistas, apesar daquilo que digam os seus manifestos e das agendas eleitoralistas que marquem as suas intervenções mediáticas.


CRÍTICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 25 de Março de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
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"O Citroën Que Escrevia
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"O Terceiro Servo"
ROMANCE,
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Bíblia do Golfe
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"Banda Sonora Para
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Porto Editora,
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"Todos Nascemos Benfiquistas
(Mas Depois Alguns Crescem)",
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"José Mourinho, O Vencedor",
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Publicações Dom Quixote,
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Editorial Prefácio
2003
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