Terça-feira, 9 de Março de 2010
publicado por JN em 9/3/10

A opção da SIC por manter até ao fim o secretismo em torno de Verdade Ou Talvez Não?, o novo programa de Bárbara Guimarães (domingo à noite), proporcionou-nos um dos momentos de TV mais kafkianos dos últimos tempos. Dizer que esse secretismo foi mantido até ao fim significa que ele foi mantido até ao fim mesmo: até ao fim do programa. Porque, terminada a primeira edição (e independentemente do “big show António Feio”, cujo regresso se saúda), muitos telespectadores provavelmente ainda nem teriam percebido diante do que estavam.


Verdade Ou Talvez Não? não é um programa de variedades, apesar de ter momentos de humor. Nem é um concurso, apesar de haver aquilo que parecem equipas a tentar adivinhar as respostas a perguntas. Nem é uma gala especial patrocinada por uma instituição de combate aos mitos na saúde, apesar de nem sequer ter ficado claro quantas edições o programa merecerá. E, sobretudo, tem um décor paupérrimo, ao nível da day time TV – ou, pior ainda, daqueles concursos de fim de tarde para os quais se telefona a adivinhar palavras por 200 euros.

Não é preciso estar demasiado atento para percebê-lo: a SIC é o canal que mais se tem empenhado em diversificar a oferta, na esperança de que algum dos produtos funcione (e de que, com isso, possa inverter a tendência para a consolidação do terceiro lugar nas audiências, longe da RTP e muito longe da TVI). Mas começa demasiado depressa a cair na “angústia pós-Idolos”, que apenas não durará até ao arranque de Achas Que Sabes Dançar? se, entretanto, XXS (com Pedro Miguel Ramos e Carolina Patrocínio), que estreia no próximo domingo, vier a relevar-se milagroso.


CRÍICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 9 de Março de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
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"O Citroën Que Escrevia
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ROMANCE,
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"Banda Sonora Para
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2003
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