Quarta-feira, 3 de Março de 2010
publicado por JN em 3/3/10

A notícia de que a RTP Açores já não vai avançar com a construção de um novo edifício, avançada pelo próprio director (Pedro Bicudo) à Comissão de Trabalhadores da estação, é apenas mais um sinal do caos que se vive em Ponta Delgada. Chegado dos EUA envolto em aura messiânica, Bicudo prometeu a Lisboa o controlo do “despesismo orçamental” da empresa e aos açorianos a construção de um edifício modelar, o reforço da ligação do canal à sociedade civil e a colocação do sinal do mesmo nos distribuidores de televisão do continente, cabo e IPTV incluídos. Ao fim de três anos, falhou em tudo: nenhum continental tem a RTP Açores em casa a não ser via parabólica; depauperada de produção e de audiências, a estação deixou de servir a coesão entre as ilhas; ninguém, nem em Lisboa nem nos próprios Açores, faz bem ideia do que se passa com as contas da empresa; e, afinal, já não haverá novo edifício ou qualquer outro reforço de meios, de condições de trabalho ou de expectativas. Entretanto, o chefe dos Serviços de Informação é agora o mesmo homem (João Soares Ferreira) que durante uma década liderou a comunicação do Governo Regional. Carlos César é a figura principal de quase todos os telejornais, com emissões em que se chegam a apresentar três e quatro peças centradas na actividade do Governo. E, quando Guilherme Costa foi às ilhas discutir o futuro da estação, em Dezembro – levando, entretanto, o nome de António Fragoso como proposta de substituto para Pedro Bicudo –, não ouviu outra coisa dos interlocutores regionais senão que, tirando uma fase inicial de desnorte, as coisas estão agora no bom caminho. Afinal, tudo está bem quando acaba bem.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 3 de Março de 2010

2 comentários:
De a 3 de Março de 2010 às 18:51
Parabens pelo artigo e por trasmitir ao pais o pensamento de muitos açoreanos... aqueles que ainda têm coragem de ver o telejornal apresentado por fósseis que nada trazem de novo a uma estação ja de si estagnada.
È urgente numa remodelação a nivel de imagem, de conteudos e , provavelmente,a nivel de chefias.
A RTP Açores, mais parece o canal oficial do governo.
Eu, como telespectador, sinto-me lesado com tamanha dose de programas de politica que nao passam do mesmo... só varia quem os apresenta e eventualmente um convidado ou outro.
Esta delegação nao jaz juz ao nome da RTP.
A unica vantagem da RTP-A é mesmo só o facto de ter a capacidade de me curar insonias.
mais uma vez, parabens e continue sempre a dizer o que os outros nao têm coragem.
Abraço
De Ana a 3 de Março de 2010 às 19:49
porque é que me parece que já vi este filme?

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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