Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010
publicado por JN em 26/1/10

O divórcio entre a NBC e Conan O’Brien, o histriónico apresentador de The Tonight Show, é o mais perfeito laboratório para perceber o que é o horário nobre e o que são as massas que o alimentam. Assumido seguidor de Johnny Carson ou Bob Hope, mas muito mais devedor dos estilos de Mel Brooks ou mesmo Woody Allen, Conan O’Brien conduziu durante 16 anos o The Late Night Show, programa das madrugadas da NBC. Os últimos cinco, passou-os já com o estatuto de sucessor natural de Jay Leno no The Tonight Show, o programa de horário nobre – e, efectivamente, quando foi anunciada a passagem de Leno a um formato menos assoberbante, no ano passado, foi ele o promovido.


Pois a experiência durou apenas sete meses – e, agora que acabou, convém perceber porquê. Preocupados com a queda de Jay Leno nas audiências, os responsáveis da NBC chegaram à conclusão de que o que o seu horário nobre precisava era de carisma. Leno era demasiado institucional, a espaços quase cinzento – e O’Brien, com a sua popa “Le Coq Sportif” e as suas piadas arriscadas, teria provavelmente, nestes tempos de globalidade exaltada e insaciável, outra acuidade na conquista de novos públicos. Resultado: foi um flop, as desavenças entre o apresentador e a estação não tardaram – e, entretanto, Conan O’Brien vai embora e Jay Leno está de regresso.

A razão é simples: o horário nobre, nos EUA como em todo o mundo (incluindo em Portugal, em que o êxito de Gato Fedorento é uma excepção), pode ter uma certa declinação, uma tanta idiossincrasia, mas não pode nunca deixar de ser conservador. Horário nobre é mainstream e mais nada – e disto não havemos de sair tão depressa.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 26 de Janeiro de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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