Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
publicado por JN em 6/11/09

Se me perguntarem qual prefiro, entre Sempre a Somar (TVI) e Quando o Telefone Toca (SIC), escolho talvez a versão da SIC, mais frenética e sonorizada – o placebo ideal, no fundo, para uma noite de solidão repleta de energia difícil de conter. De resto, nenhum deles é propriamente um programa de televisão: são ambos um negócio.


Os prémios têm valores ridículos: podem ser de 100 euros, podem ser de 200 euros – e, quando são de 1500 euros (valor que nunca vi alguém ganhar), já trazem apensa, em letras grandes, a designação “Jackpot”. Entretanto, os “concorrentes” (o público em casa) vão enchendo outro balão, naturalmente muito maior, através das chamadas de valor acrescentado.

Não há uma ideia, uma graça, uma conversa: tudo assenta no “palpite” (o que estará por detrás daquele painel dedicado a “animais da quinta”: estará “porco” ou estará “vaca”?) e na capacidade das apresentadoras (todas bonitas) para repetir ad aeternum, no melhor tom Big Show Sic, as “excelentes” respostas de quem escolheu porco em vez de vaca, pato em vez de galinha e cão em vez de cabra.

No fim, fica sobretudo a admiração pela capacidade daquelas raparigas para, na ausência de novos telefonemas válidos, empatarem a atenção do espectador durante longos minutos, repetindo até à exaustão que já foram descobertas as palavras “porco”, “pato” e “cão”. Negócio infalível em TV? Aquele que se alimenta, ao mesmo tempo, da solidão e da pobreza.


CRÍTICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 6 de Novembro de 2009

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
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"Banda Sonora Para
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