Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009
publicado por JN em 9/10/09

A introdução do tema dos vampiros em Morangos Com Açúcar é uma ideia previsível, mas não deixa de ser uma boa ideia. Preocupada com as audiências, só com as audiências e com nada mais do que as audiências, a TVI percebeu muito bem que se trata do tema do momento. Mesmo em Portugal há, por esta altura, toda uma geração que a si própria se intitula “crepusculiana”, em referência à saga Twighlight, de Stephenie Meyer (que por seu lado, aliás, é tão “vampiriana” como L. J. Smith ou Charlaine Harris, outras best sellers globais). E, embora Alex, o vampiro dos Morangos, provavelmente não seja mesmo um vampiro, mas apenas um rapaz com um desgosto de amor determinado a gozar com a cara de toda a gente, não duvido de que ajude às audiências da nova temporada.


Mas não nos deixemos enganar: os vampiros são muito mais do que isto. Em Crepúsculo, sim, são isto e pouco mais: uma metáfora para o sexo (com o engenhoso golpe de colocar esse sexo no século XXI e entre adolescentes, cheio de beleza e de vigor, em vez de, à maneira de Bram Stoker, na bafienta Londres do final do século XIX, meio luxo vitoriano e meio “barriga da besta”, como lhe chamou Jack London). Na grande literatura vampírica, misturam-se quase todas as dualidades que importam, incluindo aquelas que opõe os homens a Deus, os homens aos animais, o progresso à incivilização, os vivos aos mortos e nós próprios aos outros. Morangos Com Açúcar nem sequer faz ideia do que tudo isso é.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 9 de Outubro de 2009

1 comentário:
De Anónimo a 9 de Outubro de 2009 às 22:11
Ah, é?Eu nunca vi um episódio dos Morangos, mas realmente já era de esperar,até surpreende que não tenham engendrado algo a partir de Heroes-só vi dois ou três episódios desta!-mas também era uma ideia!!Ou não? Eu sou meio aficionada pelo tema da vampiragem!No cinema gosto dos vampiros antigos mas também,muito,do Gary Oldman no Bram Stocker que devia ter sido pelo menos nomeado para Oscar,devia,devia,devia!!!:)))E na banda desenhada há uma série de nome Rapaces, desenhada por Marini,que se tornou mesmo um vício!Cheguei a procurar na Bélgica,uma vez qeu lá estava, por achar que publicariam lá primeiro do que aqui!Mas enganei-me! O Joel talvez conheça essas livrarias apenas de BD com livros a perder de vista!Aquilo é de perder a cabeça.E eu nem sou uma leitora de BD típica,gosto de algumas coisas apenas...

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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