Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
publicado por JN em 8/10/09

Talvez a questão nem se ponha – talvez não seja a SIC a decidir o que fazer com Ricardo Araújo Pereira, mas Ricardo Araújo Pereira a decidir o que fazer com a SIC. O facto, porém, é este: RAP tem hoje um tal valor televisivo (o mesmo, talvez, que um dia tiveram Herman José ou Catarina Furtado) que o melhor é Nuno Santos encontrar depressa uma proposta à sua medida. Se Ricardo não quiser fazer mais televisão, paciência. Se quiser, convém impedir que escolha a RTP ou a TVI.


Para trás vão ficando José Diogo Quintela, Miguel Góis e Tiago Dores. Durante anos, foram eles os primeiros a promover o protagonismo de RAP. Ricardo podia ser ou não o melhor criativo, mas era o melhor actor – e todos tinham a ganhar se os papéis mais carismáticos fossem interpretados pelo melhor actor. Desta vez, penso seu, cometeram um erro estratégico. Gato Fedorento-Esmiúça Os Sufrágios era para ser apresentado por todos, alternadamente – e todos os três, depois dos primeiros programas apresentado por RAP, acabaram por recuar.

Se há uma grande diferença entre Jon Stewart e os seus compagnons de route, há agora também uma grande diferença (uma diferença ainda maior do que antes) entre RAP e os restantes três elementos do grupo (e até entre RAP, aliás, e os restantes criativos portugueses da sua geração, incluindo os escritores). Não é com o Gato Fedorento, portanto, que a SIC tem de preocupar-se: é com Ricardo. Segurando-o, pode perfeitamente abdicar de tudo o mais.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 7 de Outubro de 2009

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
ROMANCE,
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"O Citroën Que Escrevia
Novelas Mexicanas",
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"O Terceiro Servo"
ROMANCE,
Editorial Presença,
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Bíblia do Golfe
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"Banda Sonora Para
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CRÓNICAS,
Porto Editora,
2011
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"Todos Nascemos Benfiquistas
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"José Mourinho, O Vencedor",
BIOGRAFIA,
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Editorial Prefácio
2003
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