Sábado, 3 de Outubro de 2009
publicado por JN em 3/10/09

A brutal queda de Gato Fedorento-Esmiúça Os Sufrágios nas audiências tem duas explicações. A primeira está relacionada com o efectivo interesse dos portugueses pela política. Clubística e mediática, a eleição de um primeiro-ministro ainda é capaz de despertar paixões. Prática e obscura, a eleição de uma série de presidentes de câmara e de juntas de freguesia não desperta coisa nenhuma.


Mas isso não basta. O programa continua a receber figuras e a focar assuntos de âmbito nacional – e, porém, chega a ter agora metade das audiências (e do share) que teve ainda não há três semanas. Tem de haver uma segunda explicação, de resto relacionada com o produto propriamente dito. E há: Gato Fedorento tem perdido claramente qualidades de semana para semana.

Porquê? Pela mais simples das razões: se Daily Show, de Jon Stewart, tem mais de trinta argumentistas, aqui Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela, Miguel Góis e Tiago Dores continuam a fazer tudo sozinhos: a escrever durante o dia e a gravar durante a noite. É simplesmente impossível serem mais criativos, mais brilhante e mais bem-humorados do que já são. E precisavam de sê-lo, para fazer um programa diário desta natureza.

Gato Fedorento acaba dia 23. É pena: podia durar uma vida inteira, se a SIC estivesse disposta (que não está) a investir. Foi um marco, sim. Mas, bem à portuguesa, deu forte e passou depressa. Lamentemo-lo.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 3 de Outubro de 2009

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
ROMANCE,
Porto Editora,
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"O Citroën Que Escrevia
Novelas Mexicanas",
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"O Terceiro Servo"
ROMANCE,
Editorial Presença,
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Bíblia do Golfe
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"Banda Sonora Para
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Porto Editora,
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