Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
publicado por JN em 29/9/09

É com a política e, aparentemente, é com o jornalismo também. Enquanto se trata de uma coisa mais ou menos lúdica, feita de sondagens, campanhas e notícias avulsas, os portugueses apostam nuns partidos e nuns canais de televisão. Quanto se trata de algo mais a sério, incluindo votos, delegação efectiva dos destinos do país e definição do equilíbrio parlamentar, não só mudam de partido, como acabam por mudar de canal também.


Leitura grosseira? É uma leitura. Por exemplo: desde as eleições Europeias, e incluindo a pré-campanha e a campanha, o Bloco de Esquerda esteve sempre à frente do CDS. Por outro lado, há uma série de anos que, exceptuando as noites eleitorais, a TVI está à frente da RTP. Ora, este domingo, dia de decisões, o BE foi claramente batido pelo CDS, embora tenha aumentado a sua votação absoluta. E a TVI voltou a ser batida pela RTP, embora tenha sido a única a apresentar sondagens exactas.

Haja fair play: são desmandos e curiosidades de um período atípico, vivido ainda por cima numa atmosfera de recessão económica. No fim, só não se percebe porque é que, na RTP, Pedro Magalhães, da Universidade Católica, se pôs a defender tão solenemente a eficácia da sua fracassada sondagem. Aparentemente, e tal como acontece com os partidos, não há fornecedor de sondagens que perca em dia de eleições. Com as televisões é que já não se pode dizer a mesma coisa – e talvez seja essa, na verdade, a sua maior fragilidade.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 29 de Setembro de 2009

1 comentário:
De ana celeste mendes a 30 de Setembro de 2009 às 11:48
A resposta é de uma simplicidade gritante mas acredito que esteja perto da verdade: Pedro Magalhães, tal como a CDU, nunca perde. Não são as sondagens, é Pedro Magalhães. É mais do mesmo: o autor e a obra confundem-se. A mim parece-me relativamente claro que a questão principal se prende mais com as razões que levam o eleitorado dissimular o seu voto no CDS (como se fosse vergonhoso votar à Direita) do que com o sucesso de Pedro Magalhães. Mas bom, posso ser eu a ver mal...

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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