Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
publicado por JN em 7/9/09

É difícil explicar porque é que Rui Alves não tem razão nenhuma na sua mais recente reivindicação. Ao habitual estilo blitzkrieg, o presidente do Clube Desportivo Nacional irrompeu nos jornais anunciando a redução para três minutos do tempo atribuído às televisões (menos à SporTv, que comprou os direitos competentes) para a captação de imagens nos jogos do clube madeirense.


É difícil explicar porque é que Rui Alves não tem razão nenhuma porque, na verdade, ele tem toda a razão. O futebol conserva poucos bens transaccionáveis – e, entre eles, um dos melhores são os direitos de televisão, que devem por isso ser bem administrados. Mais do que isso, aliás. O compromisso dos Nacional (ou de qualquer outro clube), não é com o público em geral, mas com os seus sócios e os seus patrocinadores. É a Comunicação Social que tem um compromisso com o público em geral – e, portanto, se um clube entender que as televisões (e as rádios e os jornais e os sites) só entram no seu estádio pagando, não deve caber às televisões (e às rádios e aos jornais e aos sites) outra coisa senão decidir se vale ou não a pena pagar para isso.

O problema é que pedir o livre funcionamento do mercado nem sempre é bom negócio. Se, na intenção de proteger os interesses do público em geral, as televisões se unirem e boicotarem o Nacional, o clube deixará de ter visibilidade para além da televisão codificada. O seu produto desvalorizará – e Rui Alves será obrigado a ceder. Terá valido a pena mais uma barafunda?

CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 7 de Setembro de 2009

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
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"O Citroën Que Escrevia
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Editorial Presença,
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Bíblia do Golfe
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"Banda Sonora Para
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CRÓNICAS,
Porto Editora,
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"Todos Nascemos Benfiquistas
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Editorial Prefácio
2003
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