Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
publicado por JN em 4/9/09

Ponto um: João Maia Abreu, Mário Moura, António Prata e Maria João Figueiredo não tinham outra coisa a fazer, depois do fim do Jornal de Sexta, senão demitirem-se dos respectivos cargos na TVI. Ponto dois: Manuela Moura Guedes também não tinha outra coisa a fazer senão dramatizar, sugerindo-se alvo de perseguição política e insinuando que pretendia provar hoje mesmo, sexta-feira, que José Sócrates é culpado no caso Freeport.


O problema é que, entre aquilo que as partes interessadas têm de fazer e a forma como se explica a realidade, vai sempre alguma distância. E a realidade tem vários pontos também. Primeiro: o Jornal de Sexta tinha de acabar, não porque fosse uma perseguição a José Sócrates, mas porque era uma perseguição gratuita (gratuita, repito) a uma pessoa, a um Governo e a um regime. Segundo: se há alguém a quem o fim do Jornal de Sexta não convinha neste momento, esse alguém é Sócrates.

Eu gostava de ter visto a administração da TVI declarar, preto no branco: “O Jornal de Sexta acabou porque era mau de mais.” Assim, alegando “motivos económicos”, só conseguiu duas coisas. Perdão, três. Que Moura Guedes se torne num agente central deste ciclo eleitoral, que é o que ela sempre quis; que Moniz se ria com o caos gerado após a sua saída, quando na verdade foi ele a deixar o terreno minado (e, de resto, a preparar mal o Verão); e que nós possamos continuar a defender que nunca é a qualidade a motivar as grandes decisões em Queluz.


CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 4 de Setembro de 2009

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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"Os Sítios Sem Resposta",
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